
A Polícia Civil de São Paulo ainda tenta esclarecer as circunstâncias da morte do empresário José Matheus Silva Gomes, encontrado baleado dentro de um carro blindado em Jandira, na Grande São Paulo, em 2 de julho de 2021. Quase cinco anos depois, a investigação continua sem definir se ele foi vítima de homicídio ou se tirou a própria vida.
O caso também envolve dúvidas sobre a identidade do corpo sepultado e apólices de seguro que somam cerca de R$ 85 milhões. Quando foi localizado por policiais militares, José Matheus estava ferido no banco traseiro de um Volkswagen Jetta blindado. A perícia encontrou uma pistola próxima ao corpo, um único disparo na têmpora e nenhum sinal de luta.
Exames realizados pelo IML (Instituto Médico Legal) apontaram inicialmente para suicídio, mas a ausência de testemunhas e imagens de câmeras levou a polícia a manter outras hipóteses em análise. Em dezembro de 2021, o inquérito foi reclassificado para homicídio doloso, procedimento que permitiu ampliar as linhas de investigação.
A mudança tem impacto direto na disputa judicial envolvendo os seguros de vida contratados pelo empresário. Pela legislação brasileira, contratos com menos de dois anos de vigência possuem restrições para pagamento da indenização principal em casos de suicídio. A única beneficiária das apólices é a ex-mulher de José Matheus, Nayá de Arruda Singarini.
Documentos reunidos durante a apuração indicam que o empresário contratou 14 apólices de seguro entre 2019 e 2021, distribuídas entre quatro seguradoras. Apenas os contratos firmados com a Prudential somavam R$ 66,5 milhões.
O último seguro foi assinado apenas 11 dias antes de ele ser encontrado baleado. Segundo a seguradora, houve ainda uma tentativa de ampliar uma cobertura para R$ 100 milhões, pedido que não foi aceito. A investigação também passou a analisar a origem dos recursos utilizados para manter as apólices, cujos pagamentos mensais eram estimados em R$ 77 mil.

A Prudential apresentou informações à polícia apontando suspeitas de que os valores poderiam estar relacionados a atividades irregulares. Paralelamente, surgiram acusações envolvendo a empresa Brunswick Capital Group Investimentos, ligada a José Matheus e seus sócios.
A empresa captou ao menos R$ 18 milhões com promessas de rendimentos superiores aos praticados pelo mercado. Clientes afirmam que descobriram prejuízos apenas após a morte do empresário.
As suspeitas levaram à abertura de um segundo inquérito para apurar possíveis crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa envolvendo os sócios Victor Hugo Conservani Coutinho e Gabriel Pimentel e Silva, que negam irregularidades.
A Secretaria da Segurança Pública informou que o caso segue sob sigilo e que a polícia aguarda o resultado de um exame de DNA requisitado pelo Ministério Público para confirmar a identidade da pessoa encontrada no veículo.
Enquanto a Prudential afirma atuar de acordo com a legislação e aguardar a conclusão das investigações, a família alega que não há dúvidas sobre a identidade de José Matheus e acusa as seguradoras de retardarem o pagamento das indenizações.