Polícia pede quebra de sigilo para rastrear transações da produtora de “Dark Horse”

Atualizado em 28 de maio de 2026 às 18:27
A produtora do filme “Dark Horse” Karina Ferreira da Gama. Foto: Divulgação

A Polícia Civil de São Paulo solicitou à Justiça acesso a movimentações financeiras sigilosas de Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora do filme “Dark Horse”, e do Instituto Conhecer Brasil, presidido por ela. O pedido visa relatórios do Coaf sobre operações atípicas e suspeitas tanto no CPF de Karina quanto no CNPJ do instituto, com trechos mantidos em sigilo pelo delegado Antonio Carlos Manuera Silveira.

O pedido integra a investigação sobre contrato do instituto com a Prefeitura de São Paulo, na gestão Ricardo Nunes, para fornecimento de wi-fi por R$ 108 milhões. A polícia apura superfaturamento e eventual desvio de recursos públicos.

A prefeitura afirmou não ter identificado irregularidades até o momento e garantiu que tomará providências caso a investigação comprove problemas. Karina negou que o filme sobre Jair Bolsonaro tenha recebido dinheiro de brasileiros, público ou privado, e afirmou que a contratação pela prefeitura foi regular, sem ligação com “Dark Horse”.

O longa, produzido pela Go Up Entertainment, recebeu R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master, que a PF investiga quanto ao destino de parte do recurso. O delegado destacou “consistentes suspeitas de confusão patrimonial entre o instituto e a produtora” e que recursos públicos do programa “WiFi Livre SP” poderiam ter sido desviados para o filme.

Poster do filme ‘Dark Horse’ sobre a vida de Bolsonaro. Foto: Divulgação

O relatório também aponta indícios de que o instituto não tinha capacidade técnica para execução dos serviços, cobrando R$ 1.800 por ponto de conexão, acima do mercado. Outro ponto citado foi o recebimento antecipado de R$ 26 milhões por serviços não executados, sugerindo “desvio de finalidade” no uso do dinheiro público.

A Polícia Civil defende que rastrear o fluxo financeiro é essencial para esclarecer a destinação dos recursos. O pedido abrange movimentações desde junho de 2024, quando o contrato de wi-fi foi firmado, e o inquérito teve início após denúncias no fim de 2025.

A investigação busca compreender se valores repassados a subcontratadas ou contas pessoais foram irregulares. A gestão municipal informou que, até esta quinta-feira (28), havia 3.161 pontos de wi-fi ativos e 39 off-line dos 3.200 contratados, ressaltando que qualquer irregularidade confirmada será investigada e corrigida com apoio da administração.

A Polícia Civil mantém análise detalhada dos dados financeiros e troca de informações com órgãos de inteligência, como o Coaf, para identificar eventuais desvios no contrato e uso de recursos públicos vinculados ao Instituto Conhecer Brasil e à Go Up Entertainment.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.