Policiais invadem casa de rapper, viram música, processam artista e perdem na Justiça

Atualizado em 19 de março de 2026 às 17:54
O rapper Afroman. Foto: Reprodução

O rapper Afroman, conhecido pelo hit “Because I got high”, venceu na Justiça um processo movido por sete policiais do estado de Ohio, nos Estados Unidos. Os agentes pediam quase US$ 4 milhões (cerca de R$ 21 milhões) em indenização após o artista usar imagens de uma operação policial em sua casa para fazer paródias em músicas e videoclipes.

A ação foi aberta depois que o cantor, cujo nome verdadeiro é Joseph Foreman, utilizou gravações das câmeras de segurança da própria residência para satirizar a invasão realizada em 2022. Durante o julgamento, os policiais afirmaram que foram ridicularizados publicamente e que sofreram assédio após a divulgação dos vídeos, que tiveram milhões de visualizações na internet.

Em depoimento, o rapper afirmou que a responsabilidade pela situação foi da própria polícia. “Toda a operação foi um erro. A culpa é toda deles. Se não tivessem invadido minha casa injustamente, não haveria processo”, disse à Justiça.

As imagens usadas nas músicas mostram agentes armados arrombando a porta da casa, revistando roupas e observando objetos da cozinha, o que inspirou a canção “Lemon pound cake”. Em outros vídeos, o artista acusou os policiais de irregularidades e criticou a atuação durante a operação.

Veja o clipe:

“Policiais não deveriam roubar dinheiro de civis. Tudo isso é um absurdo”, declarou o músico, referindo-se ao desaparecimento de US$ 400 (cerca de R$ 2 mil) durante a busca. Ele também disse que lançou as músicas para compensar prejuízos causados pela ação, que teria danificado o portão e a porta da residência.

A defesa de Afroman argumentou que as canções são protegidas pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que garante a liberdade de expressão. O rapper afirmou que tinha o direito de contar o que aconteceu e relatou que a operação deixou seus filhos assustados.

Os policiais, por sua vez, disseram que as músicas continham exageros e mentiras. “Em que lugar do mundo é aceitável inventar algo por diversão que prejudica os outros?”, questionou um dos agentes. A Justiça, porém, decidiu a favor do artista, entendendo que as paródias fazem parte do direito de crítica e manifestação artística.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.