
A bióloga, pesquisadora e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tatiana Sampaio, disse, nesta segunda-feira (23), que “não tinha a expectativa de querer aparecer” ao comentar a repercussão de sua pesquisa sobre recuperação de lesões na medula espinhal.
A cientista participou do programa Roda Viva em edição que marcou a estreia do jornalista Ernesto Paglia como apresentador e relatou o desconforto com a notoriedade repentina após a divulgação dos resultados de seu trabalho.
Tatiana afirmou que a exposição pública tem afetado sua rotina científica, especialmente as atividades de laboratório.
“Na pesquisa impacta muito, eu tenho dificuldades de estar no laboratório. O status de celebridade, que não tenho buscado, e nem com o qual eu me sinta confortável. É bom saber que está sendo admirada pelas pessoas, mas é desconfortável”, revelou.
Durante a entrevista, Tatiana também detalhou a descoberta da molécula associada à recuperação de funções motoras em pacientes com lesão medular.
O tratamento é resultado de três décadas de estudos sobre a polilaminina, versão recriada em laboratório da laminina — proteína produzida naturalmente pelo corpo que auxilia na conexão entre neurônios. A pesquisa ganhou destaque nos últimos dias e levou a homenagens públicas à cientista, inclusive no Carnaval, quando foi citada pelo cantor João Gomes.
A pesquisadora ainda apresentou dados dos testes realizados com pacientes que tinham lesão medular completa. Segundo ela, dos oito participantes avaliados, 75% apresentaram algum grau de recuperação da função motora após o tratamento experimental.
“O resultado técnico não é passível de questionamento. Eu sei a literatura em que estou me baseando. Eu não tenho dúvida de que nós fizemos uma avaliação correta que nós tivemos”, explicou.
Assista abaixo: