Políticos da Venezuela apontam “traição” interna e infiltração da CIA no sequestro de Maduro

Atualizado em 6 de janeiro de 2026 às 9:12
Nicolás Maduro durante o sequestro realizado pelos EUA. Foto: Reprodução

Políticos venezuelanos passaram a falar em “traição” interna e “infiltração” estrangeira para explicar o sequestro de Nicolás Maduro, apontando falhas graves no aparato de segurança e possível colaboração de dissidentes na operação que retirou o então presidente do país em poucos minutos, conforme informações da colunista Daniela Lima, do UOL.

Segundo autoridades e políticos da Venezuela que conversaram com integrantes do governo Lula e dirigentes de partidos de esquerda, houve “traição” de membros das forças de segurança e “infiltração” de agentes da CIA na ação que levou ao sequestro de Maduro. Os relatos indicam que o líder venezuelano foi retirado de seu bunker em menos de 50 minutos.

Há ainda, de acordo com essas informações, uma tentativa de apurar se a embarcação usada para retirar Maduro e sua esposa também transportou dissidentes que colaboraram com os norte-americanos. Outro ponto destacado é que nenhum dos sistemas de defesa aérea do país foi acionado, apesar do alto investimento venezuelano em armamentos nos últimos anos.

Falhas no esquema de proteção

As autoridades venezuelanas relataram a aliados brasileiros que todo o esquema de segurança do então presidente e do Palácio de Miraflores teria sido previamente mapeado.

Na avaliação dos interlocutores, delatores teriam entregue aos Estados Unidos mapas de instalações militares e formas de neutralizar eventuais reações das defesas adquiridas de países como Rússia e Irã, o que explicaria o colapso completo da proteção.

A Venezuela, porém, evita comentar publicamente a derrocada do aparato de segurança, considerada uma “mancha” para um país que há anos afirma estar sob ameaça constante de Washington.

Conversa com Lula e posição brasileira

Em conversa direta com presidente Lula (PT) na manhã de sábado, após a captura, a atual presidente Delcy Rodríguez não entrou em detalhes sobre as falhas. Fez um relato factual e sucinto: os agentes entraram, derrubaram a escolta e retiraram Maduro em menos de 50 minutos.

Nos bastidores da diplomacia brasileira, não há respaldo para a tese de que Delcy tenha colaborado com a operação. O principal temor, segundo interlocutores, é que ela não consiga controlar o país, abrindo caminho para conflitos internos ou até uma guerra civil — cenário que poderia levar a nova ação armada dos Estados Unidos, algo que o Brasil busca evitar.

Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela. Foto: reprodução