
Políticos venezuelanos passaram a falar em “traição” interna e “infiltração” estrangeira para explicar o sequestro de Nicolás Maduro, apontando falhas graves no aparato de segurança e possível colaboração de dissidentes na operação que retirou o então presidente do país em poucos minutos, conforme informações da colunista Daniela Lima, do UOL.
Segundo autoridades e políticos da Venezuela que conversaram com integrantes do governo Lula e dirigentes de partidos de esquerda, houve “traição” de membros das forças de segurança e “infiltração” de agentes da CIA na ação que levou ao sequestro de Maduro. Os relatos indicam que o líder venezuelano foi retirado de seu bunker em menos de 50 minutos.
Há ainda, de acordo com essas informações, uma tentativa de apurar se a embarcação usada para retirar Maduro e sua esposa também transportou dissidentes que colaboraram com os norte-americanos. Outro ponto destacado é que nenhum dos sistemas de defesa aérea do país foi acionado, apesar do alto investimento venezuelano em armamentos nos últimos anos.
Falhas no esquema de proteção
As autoridades venezuelanas relataram a aliados brasileiros que todo o esquema de segurança do então presidente e do Palácio de Miraflores teria sido previamente mapeado.
Na avaliação dos interlocutores, delatores teriam entregue aos Estados Unidos mapas de instalações militares e formas de neutralizar eventuais reações das defesas adquiridas de países como Rússia e Irã, o que explicaria o colapso completo da proteção.
A Venezuela, porém, evita comentar publicamente a derrocada do aparato de segurança, considerada uma “mancha” para um país que há anos afirma estar sob ameaça constante de Washington.
Anoche en Caracas grabaron como suena un misil. Que heavy. pic.twitter.com/DlzfC6EfPd
— Juan Pablo González 🇻🇪 (@Juanegron) January 4, 2026
Conversa com Lula e posição brasileira
Em conversa direta com presidente Lula (PT) na manhã de sábado, após a captura, a atual presidente Delcy Rodríguez não entrou em detalhes sobre as falhas. Fez um relato factual e sucinto: os agentes entraram, derrubaram a escolta e retiraram Maduro em menos de 50 minutos.
Nos bastidores da diplomacia brasileira, não há respaldo para a tese de que Delcy tenha colaborado com a operação. O principal temor, segundo interlocutores, é que ela não consiga controlar o país, abrindo caminho para conflitos internos ou até uma guerra civil — cenário que poderia levar a nova ação armada dos Estados Unidos, algo que o Brasil busca evitar.
