Politização amplifica prejuízo da suspensão dos testes da vacina de Oxford. Por Fernando Brito

PUBLICADO NO TIJOLAÇO

POR FERNANDO BRITO

NY Times diz, sem confirmação oficial, que a suspensão dos testes da vacina produzida por um consórcio do Laboratório Astrazêneca e a Universidade de Oxford, deveu-se a um caso mielite transversa, uma doença rara e que, há anos, é objeto de estudos por sua associação com a aplicação de vacinas.

Em 2016, a própria Universidade de Oxford publicou um estudo científico sobre isso, sem resultados significativos para esta suposta consequência indesejada.

Não é um caso “pão-pão; queijo-queijo”, que permita conclusões imediatas: no estudo feito sobre o registro de 64 milhões de registros do Vaccine Safety Datalink do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos foram localizados apenas sete casos de mielite transversa nas primeiras quatro semanas após vacinaçao e 66 nos nove meses seguintes a imunização.

Isso não quer dizer que haja uma necessária ligação de causa e efeito, porque a doença tem uma incidência parecida entre a população em geral – sem necessária vinculação à vacina, na faixa de 1 por milhão por causas, em boa parte, desconhecidas.

Tudo isso, porém, é uma questão de estudos científicos, não para polêmicas jornalísticas, até porque os interesses econômicos e políticos são imensos.

Anúncios precipitados de vacinação em massa – como o que fez Donald Trump prometendo vacinação antes das eleições de novembro nos EUA e a que fez ontem o general Eduardo Pazuello, falando em estar “vacinando todo mundo” em janeiro – só servem para aumentar a desconfiança pública quando surge um episódio que exige reavaliação sobre efeitos colaterais, o que não é nada raro em desenvolvimento de vacinas.

O governo brasileiro, além disso, não pode “colocar todas as fichas” numa das dezenas de vacinas que estão em testes, porque não tem o direito de chegar atrasado em outras que, eventualmente, se provem mais eficazes e/ou viáveis, por características de produção, armazenamento e distribuição, que podem ser decisivas quando se trata de imunizar 212 milhões de pessoas em 8,5 milhões de km².

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