Polymarket dá 71% de chance de Trump perder Câmara e Senado

Atualizado em 31 de outubro de 2026 às 18:23
Donald Trump
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Foto: Elizabeth Frantz/Reuters

A Polymarket atribuía neste sábado (31) 71% de probabilidade de os democratas conquistarem simultaneamente a Câmara e o Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato, marcadas para terça-feira (3). O resultado representaria a perda do controle das duas Casas pelo Partido Republicano, do presidente Donald Trump.

Na consulta à plataforma, o segundo cenário mais cotado, com 24%, era o de uma Câmara democrata e um Senado republicano. A manutenção da maioria republicana nas duas Casas aparecia com apenas 5%. Os percentuais refletem os preços dos contratos negociados pelos participantes e mudam conforme as operações no mercado.

Os republicanos ocupam atualmente 53 das 100 cadeiras do Senado. Segundo relatório do banco suíço Mirabaud, os democratas precisam de um ganho líquido de quatro assentos para assumir o comando da Casa. O cálculo considera a diferença entre as cadeiras conquistadas e as eventualmente perdidas.

O favoritismo nas apostas se soma à vantagem democrata nas pesquisas para a Câmara, mas os indicadores medem coisas diferentes. Na Polymarket, os percentuais expressam a probabilidade de um resultado segundo os preços negociados; não representam a parcela de eleitores que pretende votar em cada partido nem uma previsão da margem de vitória.

As apostas relacionadas à eleição movimentam cerca de US$ 1,5 bilhão na Kalshi e na Polymarket, segundo análise da Bloomberg citada pelo Valor. CNN, CBS News, CNBC e Dow Jones fecharam parcerias comerciais com plataformas do setor. Ao mesmo tempo, mais de uma dúzia de estados americanos processaram empresas desse mercado, sob a alegação de que oferecem uma modalidade ilegal de jogo.

Uma vitória democrata nas duas Casas, porém, não daria à oposição liberdade para aprovar sua agenda. Na avaliação do Mirabaud, o poder de veto de Trump torna mais provável um cenário de paralisia legislativa até 2029, sem mudanças na tributação das empresas nesse período. O banco também ressalta que tarifas e sanções dependem menos do Congresso e permanecem, em grande parte, sob decisão presidencial.

Os mercados de previsão também podem errar. Segundo a Bloomberg, a Kalshi chegou a atribuir 80% de chance de vitória a Flávio Bolsonaro na eleição presidencial brasileira, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva. O episódio mostra o limite dessas cotações: favoritismo entre apostadores não equivale a resultado garantido nas urnas.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!