Por causa de som alto, PM agride idoso na periferia de SP

PM da Rocam (de capacete) acerta a segunda voadora em outro homem | Foto: Reprodução

Publicado originalmente na Ponte

Imagens mostram policial golpeando dois moradores que não tinham relação com a ocorrência; homem que foi alvo da queixa acabou sendo arrastado e levado à delegacia por se recusar a apresentar documentos

Um policial militar de São Paulo agrediu duas pessoas com voadoras enquanto atuava em uma ocorrência no Jardim Elisa Maria, periferia da zona norte de São Paulo. Vídeos obtidos pela Ponte mostram o momento em que a ação violenta acontece no último sábado (18/5).

Por volta de 12h, a PM chegou à rua Rua Pedro Alba para verificar uma denúncia de som alto. Abordado, o homem dono do equipamento teria desligado o som, mas se recusou a apresentar documentos quando solicitado pelo policial. Segundo seus familiares, esse foi o motivo para a violência começar.

“Meu irmão falou alto para os vizinhos para eles cuidarem da própria vida e o PM se revoltou, pegou na roupa e o jogou na parede duas, três vezes e saiu arrastando, rodopiando ele na rua”, conta o irmão da vítima, que pediu anonimato com medo de represálias. Seu pai, de 71 anos, tentou intervir para evitar as agressões mesmo de braço quebrado, mas não conseguiu.

As imagens mostram quando o homem está no chão com dois PMs em sua volta e o idoso tentando acalmar a dupla. O policial de capacete, integrante da Rocam (Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicleta), afasta o senhor do filho e, na sequência, sai correndo para acertar a primeira voadora em uma pessoa que estava na entrada de uma viela.

A pessoa segue registrando a truculência. O policial dá o golpe e corre para o outro lado em direção ao outro PM, que tenta render o homem, enquanto três pessoas questionam a violência. É quando o PM da Rocam acerta a segunda voadora em mais um rapaz, que não estava diretamente ligado à ocorrência de música alta.

A violência policial continua quando outro policial derruba e chuta um rapaz no chão. A população revoltada critica a ação. “Pelo amor de Deus, é trabalhador”, grita uma senhora quando o dono do som é levado para a viatura.

“Meu sobrinho também foi agredido, derrubaram ele no chão, chutaram a costela dele e lançaram spray de pimenta no rosto. Quer dizer, foi agressão para tudo quanto é lado, os policiais chegaram na maior violência, de uma forma totalmente despreparada, não respeitando ninguém”, explica o familiar do primeiro homem agredido, que foi levado ao 72º DP (Distrito Policial).

A família esteve na delegacia para denunciar as agressões sofridas pelo homem, seu filho e a truculência pelos PMs empurrarem um idoso de 71 anos. Segundo o irmão da vítima, o delegado os ouviu na delegacia, mas eles tiveram problemas para oficializar a denúncia na Corregedoria da PM.

“Passamos praticamente o dia todo no DP e, de noite, lá para às 23h, levaram a gente para a Corregedoria da PM, em Santana, e começaram a dar canseira na gente. Estávamos no relento, em um banco de cimento do lado de fora com frio, depois de ter passado o dia todo na delegacia”, conta, dizendo que desistiram depois de esperar em torno de três horas.

“Os PMs estavam juntos, primeiro ouviram eles e depois seria a gente, um por um. Não estávamos mais aguentando, meu irmão e o filho dele estavam com dores. Assinamos um documento que estávamos indo embora e abrindo mão da parte da Corregedoria, mas o rapaz disse que seria tudo juntado e encaminhado para o 72 DP. Na Civil, eles não me deram o B.O.”, continua.

A Ponte entrou em contato com a SSP (Secretaria da Segurança Pública) de São Paulo, comandada pelo general João Camilo Pires de Campos do governo de João Doria (PSDB) e, segundo a pasta, há um IPM (Inquérito Policial Militar) para investigar o caso. “Os policiais envolvidos na ocorrência foram afastados das atividades operacionais”, explica a SSP. Nestes casos, os policiais saem do serviço de rua e cumprem atividades administrativas até o encerramento das apurações.

A reportagem fez o mesmo questionamento para a Polícia Militar, liderada pelo coronel Marcelo Vieira Salles, mas não obteve respostas por parte da corporação.

 

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