Por que a campanha “Moro mente” é capaz de brecar a farra do ex-juiz. Por Donato 

Juristas fizeram ato contra Sergio Moro em São Paulo na última segunda-feira (19).
Foto: Mauro Donato

 POR MAURO DONATO

Antes mesmo do ato começar, tão logo a imagem de Sergio Moro surgiu no telão do Salão Nobre da faculdade de Direito no largo São Francisco, uma ruidosa vaia tomou conta do ambiente.

Com o espaço lotado (plateia inferior e galeria superior) e mais centenas de pessoas do lado de fora, a campanha “Moro Mente” pretende ser didática, pedagógica e rodar todos os estados do país.

A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) quer mostrar à população quais foram “as violações de direitos cometidas pelo ex-juiz e apontar as mentiras que ele conta para justificar sua atuação criminosa durante a Lava Jato”.

Falar de Moro não pode ser no passado. Afinal de contas, ele continua extrapolando limites éticos e do cargo que ocupa. Por isso a indignação só faz aumentar.

O “herói” que foi desmascarado em menos de seis meses pelo mesmo instrumento que o alçou (os vazamentos), não terá vida fácil. “Lula livre e Moro na cadeia” foi frase dita por mais de um orador ontem, muitos deles juristas de peso.

“Não aceitamos julgamento que corrompe a noção de Justiça, de violação das práticas. O Judiciário está em dívida com o povo, é hora do STF colocar as coisas no devido lugar. Moro não tem condições de permanecer à frente do Ministério por ter feito conluio com Bolsonaro ao tirar Lula da disputa presidencial” disse a desembargadora Kenarik Boujikian.

Moro é o representante mor de um sistema jurídico excludente, que propicia todo tipo de abusos de poder. Sua conduta inaceitável diante do ordenamento jurídico foi fundamental para o esquema de perseguir, processar e condenar adversários de Jair Bolsonaro.

“Lula tem cinquenta anos de carreira política. Não seria derrotado por um Whatsapp qualquer, sem o suporte da Lava Jato de Sergio Moro”, afirmou Fernando Haddad, também ele vítima do processo ilegítimo.

Inflamado, Haddad demonstrou ainda irritação ao comentar a interferência de militares.

“A todo momento que o STF tenta fazer justiça, entra na linha um militar fazendo coação, dizendo que tem 300 mil homens armados”, declarou ele em referência ao general Eduardo Villas Bôas, que duvidava da lisura do processo eleitoral e incitava seus seguidores a questionar as urnas eletrônicas. Se Bolsonaro não vencesse a chapa iria esquentar, é que deixava implícito.

Haddad discursa em ato contra Sergio Moro na última segunda-feira (19).

Sergio Moro é personagem central de uma farsa que criminaliza a política a abriu caminho para uma aberração como Bolsonaro. Com seu discurso de combate à corrupção, o que fez foi corromper a democracia.

O próprio pacote anticrime é uma solução fake. Amplia um estado penal que persegue e encarcera pobres, negros, ativistas e movimentos sociais.

Sergio Moro é uma farsa, mas ele não mente sozinho. Por isso o movimento “Moro Mente” é tão necessário. É preciso de fato repensar um sistema Judiciário que considera “normal” os diálogos nos quais um juiz claramente orienta uma das partes.

A campanha pretende colocar à prova os atos de Moro que, no fundo, confirmam o que muitos suspeitavam desde o início: a operação Lava Jato era um balaio de abusos e injustiças seletivas.

Sua mais recente traquinagem de enviar documentos sigilosos a respeito do laranjal do PSL para Bolsonaro (e agora negar-se a atender o pedido divulgar cópia daquilo que enviou) demonstram o quanto ele faz parte do aparelhamento bolsonarista.

Moro foi peça chave na eleição de Bolsonaro e agora é conivente nos acobertamentos e engavetamentos de processos da família miliciana.

Sem justiça com jota maiúsculo não há democracia. Não é, portanto, sob esse regime que estamos vivendo. Fora Moro.

Juristas fizeram ato contra Sergio Moro em São Paulo na última segunda-feira (19). Foto: Mauro Donato

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