Por que a CNN tenta criminalizar os antifas. Por Donato

Bolsonarista desde o berço, a CNN Brasil divulgou hoje uma matéria com a finalidade de criminalizar os Antifas.

O termo antifa chegou aos holofotes com as recentes manifestações de enfrentamento ao fascismo que vinha tomando conta das ruas nos últimos meses, desde que a parcela consciente da população passou a respeitar as regras de distanciamento social devido a pandemia.

Com o discurso raso e as perguntas clichê no gênero “Quem são” e “Que grupo é esse?”, a emissora reproduziu a tosca fórmula conferida aos black blocs há alguns anos pela grande mídia.

“Pela primeira vez aceitam falar com uma equipe de TV”, diz o repórter dentro de um carro, em tom investigativo, corajoso, destemido.

Baboseira da grossa, caro leitor. Eram antifas? Antifa é genérico, todo democrata é. Eu sou. Antifa é uma identidade, não um grupo.

Esse tipo de jornalismo serve apenas para fomentar o medo de algo novo, de um “inimigo desconhecido”. Visa, sobretudo, justificar o que já estamos vendo há duas semanas: uma repressão policial brutal contra quem está começando a se levantar contra o desgoverno biroliro.

Intenta mascarar os verdadeiros – e costumeiros – provocadores do início das confusões: infiltrados ou a própria polícia. Está sob encomenda, enfim.

É matéria que busca dar corpo e rosto a “uma organização”. É desonesto e/ou mal informado querer transformar em corporação algo que é completamente desarticulado. Prova é a pouca adesão de muitos antifas ao ato de ontem por conta da transferência de local para o Largo da Batata.

Tal e qual black bloc, que é uma tática e não um grupo, não há um líder autorizado a falar por todos.

“Sem dúvida nenhuma é necessário violência. A violência é revolucionária. A gente se utiliza da violência porque a gente tem amor pelos nossos, a gente tem amor pelo diferente, e é isso”, diz em determinado o rapaz entrevistado.

O discurso “usaremos da violência” – que obviamente torna-se manchete – é revelador de uma armação. Quem diz uma coisa dessas?

Essa retórica cai como uma luva no projeto que pretende enquadrá-los como “terroristas”. O novo – e adequado – inimigo de Bolsonaro, está na bandeja, servido.

A reportagem é risível. As bandeiras penduradas no cenário são novas, dando a entender que nunca estiveram na rua, nem para levar fumaça. Os moletons dos meninos também são novos e de marcas caras.

Mas o ponto mais inusitado nisso tudo, é a CNN escolher, como contraponto, Eduardo Fauzi.

Fauzi é do movimento integralista, um terrorista criminoso que praticou o atentado com coquetéis molotov contra a sede da produtora do programa Porta dos Fundos.

Num depoimento em vídeo dentro da matéria, o fascista-racista-higienista e violento Fauzi declara:

“Nós integralistas somos pautados pela ordem, hierarquia e disciplina social, portanto, não existe possibilidade de diálogo entre ordem, hierarquia e disciplina social, entre Deus, pátria e família e anarquia, destruição, vandalismo, não existe possibilidade de diálogo entre essas duas correntes de pensamento. Portanto, não resta outra alternativa que ocorrer choques violentos entre uma coisa e outra.”

Isso mesmo, ele que está foragido na Rússia, é procurado pela Interpol e lança molotov contra humoristas diz ser contra o vandalismo.

A CNN trata Fauzi como “empresário”. O governo Bolsonaro agradece.

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