Por que a Copa deve ser um “fracasso colossal”, segundo revista dos EUA

Atualizado em 11 de maio de 2026 às 17:18
O presidente dos EUA Donald Trump e o presidente da FIFA é Gianni Infantino. Foto: Divulgação

A menos de um mês para o início da Copa do Mundo de 2026, os Estados Unidos enfrentam sinais preocupantes de demanda abaixo do esperado para o torneio, o que pode virar um “fracasso colossal”, de acordo com a revista Newsweek.

De acordo com dados de viagem, hotelaria e vendas de ingressos, a competição pode gerar menos receita do que a Fifa previu. A edição do torneio, que terá 48 seleções e 104 jogos, está marcada para começar no dia 19 de julho, no MetLife Stadium, com 78 partidas a serem realizadas em 11 cidades dos EUA.

O impacto econômico prometido para a Copa nos EUA, estimado pela Fifa em US$ 80,1 bilhões, sendo US$ 30,5 bilhões destinados ao mercado americano, está em risco. A Fifa havia inicialmente declarado que todos os ingressos estavam esgotados, mas recuou após questionamentos sobre ingressos ainda disponíveis para a venda.

Em um movimento para tentar aumentar as vendas, a organização abriu novos lotes de ingressos, mas os preços no mercado de revenda também caíram, indicando uma demanda mais fraca, especialmente para jogos com menor apelo. Além disso, a expectativa de altos gastos por visitantes não se reflete no ritmo de reservas. A U.S.

Travel Association revelou que os visitantes internacionais esperam gastar mais de US$ 5.000 por pessoa, o que é 1,7 vezes mais do que viagens típicas aos EUA. No entanto, as reservas de hotéis nas cidades-sede estão abaixo do esperado, com muitas propriedades oferecendo tarifas mais baixas, indicando uma oferta menor de demanda.

MetLife Stadium em East Rutherford, Nova Jérsei. Foto: Divulgação

Empresários do setor de turismo apontam fatores como barreiras de visto e custos elevados de viagem como responsáveis pela queda na procura.

“Preocupações com o processamento de vistos, aumento dos custos de viagem, sobretaxas de transporte e propostas de aumento de impostos em alguns mercados-sede estão contribuindo para a incerteza e podem afetar a visitação internacional se não forem tratadas com cuidado” afirmou o presidente da Georgia Hotel & Lodging Association, Chris Hardman.

“Os visitantes não vêm apenas para as partidas, eles vêm para viver a experiência dos EUA”, escreveu Geoff Freeman, presidente e CEO da U.S. Travel Association, em análise recente. A expectativa do setor hoteleiro é que possa haver um aumento nas reservas à medida que a competição se aproxima, mas com limites, segundo Vijay Dandapani, da Hotel Association of New York City.

“Embora possa haver um aumento de última hora à medida que chegamos à metade de maio, não esperamos que isso chegue ao que foi previsto anteriormente”, disse Vijay Dandapani, presidente e CEO da Hotel Association of New York City.

“Os indicadores antecipados mostram que ainda há uma oportunidade relevante pela frente. Esperamos que os estádios estejam cheios, mas, para realizar plenamente a oportunidade, os EUA e a Fifa precisam garantir uma experiência acolhedora e sem complicações para viajantes internacionais”, disse um porta-voz da Associação Americana de Hotéis e Alojamentos à Newsweek.

Críticas sobre os preços dos ingressos também têm surgido, especialmente em jogos menos procurados. A Fifa adota um modelo de preços dinâmicos, o que pode elevar os custos conforme a demanda diária. Donald Trump, que apoiou a escolha dos EUA como sede do evento, também comentou sobre os preços, dizendo que não pagaria US$ 1.000 por um ingresso para o jogo de abertura da seleção americana.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.