Por que a decisão da OEA entra instantaneamente para a história

Sede da OAS em Washington

 

A OEA, Organização dos Estados Americanos, está nas manchetes em todo o mundo. O motivo foi a decisão, tomada hoje, de apoiar o Equador no conflito diplomático com a Inglaterra por causa de Julian Assange, fundador do Wikileaks.

No mundo prático, isso não vai mudar muito a vida de Assange, asilado na embaixada do Equador em Londres. Se ele sair na rua, é preso e deportado para a Suécia, onde é acusado de crimes sexuais por duas mulheres que lhe proporcionaram sexo consensual. O impasse continua: Assange está impedido de desfrutar da liberdade que lhe foi oferecida pelo Equador do presidente Rafael Correa.

Mas a atitude da OEA – que ao longo dos anos serviu essencialmente para zelar pelos interesses econômicos e políticos dos Estados Unidos nas Américas — entra para a história. Pela primeira vez, a vontade americana num assunto relevante é contrariada – e espetacularmente.

No começo deste ano, um editorial do jornal Washington Post perguntou se a OEA ainda fazia sentido. O Post estava incomodado com o que lhe parecia antiamericanismo na gestão do chileno Jose Miguel Insulza à frente da OEA. Desde 2005, quando Insulza, socialista, se tornou secretário-geral, a OEA tem sido, segundo o Post, “mais um problema do que uma solução”.

Os americanos não gostam do chileno Insulza

O Post defende, naturalmente, a visão americana, passível de muitas discussões.

Mas numa coisa o jornal está certo: a OEA já não tem sentido. Os Estados Unidos têm quase nada a ver com seus vizinhos de Américas, excetuado o Canadá. É outra língua, outra a agenda, são outras as prioridades.

A OEA refletiu a era em que vigorou (na marra) a tese de que o que era bom para os Estados Unidos era bom para todos.

Isso acabou.

A OEA cumpriu seu ciclo. Pode e deve ser extinta – mas que fique registrado, em seu presumível epílogo, a rejeição épica a quem a teve sempre pela coleira, os Estados Unidos.

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