Por que a operação contra Jaques Wagner surpreendeu diretor da PF

Atualizado em 18 de junho de 2026 às 14:07
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Foto: Divulgação

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, não foi informado de que o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), seria o principal alvo da operação deflagrada nesta quinta-feira (18) no âmbito das apurações sobre suspeitas de fraudes ligadas ao Banco Master. Com informações da Folha de S. Paulo.

Rodrigues estava na França, acompanhando o presidente Lula durante a programação do G7, quando foi surpreendido pela ação da Polícia Federal. A ofensiva corresponde à nona etapa da Operação Compliance Zero.

A falta de comunicação prévia também atingiu o Palácio do Planalto. Em outras investigações que envolveram integrantes do governo, a cúpula da PF havia tomado conhecimento das medidas antes de seu cumprimento, mesmo que poucas horas antes.

Um dos caso lembrados é o da operação sobre as fraudes no INSS. Na ocasião, o então presidente do órgão, Alessandro Stefanutto, foi preso pela Polícia Federal sob suspeita de receber propina de pessoas ligadas ao esquema investigado.

Naquele dia, Andrei Rodrigues foi pessoalmente ao Palácio da Alvorada para informar Lula sobre a ação contra Stefanutto. Dessa vez, o diretor-geral da PF não fez contato prévio com o presidente a respeito da operação que teve Jaques Wagner entre os alvos.

O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, havia determinado que os desdobramentos da investigação sobre o Banco Master não fossem levados ao conhecimento da direção da Polícia Federal. A decisão manteve sob sigilo os passos da operação.

O ministro André Mendonça. Foto: Divulgação

Após o início da ação, o nome de Andrei Rodrigues passou a ser citado em críticas dentro do Palácio do Planalto. Integrantes do governo afirmam que havia a expectativa de que o PT da Bahia pudesse ser alcançado pelas investigações, mas dizem que a operação desta quinta-feira causou surpresa.

Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu US$ 49 mil em espécie, valor equivalente a R$ 250 mil na cotação desta quinta-feira, em um endereço em Brasília ligado a Jaques Wagner. O senador é um dos alvos da nova fase da Operação Compliance Zero.

A investigação apura um suposto esquema bilionário de fraudes e corrupção relacionado ao Banco Master. Segundo a apuração, Wagner teria recebido vantagens indevidas em troca de atuação política no Congresso Nacional, entre elas um apartamento em Salvador e R$ 3,5 milhões.

A decisão de Mendonça, baseada em representação da Polícia Federal, aponta que a etapa atual da investigação concentra-se na relação entre o senador e Augusto Lima, dono do Banco Pleno e citado como aliado estratégico de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

O avanço das apurações ocorreu após a análise de mensagens encontradas no celular de Augusto Lima, segundo a Polícia Federal. Os dados teriam indicado a dinâmica do suposto esquema investigado.

“A autoridade policial aponta que a relação entre Jaques e Augusto Ferreira Lima seria antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança pessoal, circunstância que, em tese, teria criado ambiente propício à realização de tratativas reservadas em prol da defesa de interesses privados do Banco Master”, diz um trecho da decisão.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.