Por que a Suprema Corte dos EUA derrubou tarifaço de Trump

Atualizado em 20 de fevereiro de 2026 às 13:43
O presidente Donald Trump. Foto: Divulgação

A Suprema Corte dos Estados Unidos tomou a decisão nesta sexta-feira (20), de derrubar o aumento das tarifas de importação imposto pelo presidente Donald Trump, caracterizando-o como uma ação além de sua autoridade legal. A medida, que havia sido um dos pilares da agenda econômica do presidente, impactou diversos países, incluindo o Brasil, e foi considerada ilegal por 6 votos a 3 pelos juízes da Corte.

O caso envolve a utilização da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional de 1977, que permite ao presidente agir unilateralmente em situações de emergência, mas sem dar respaldo para a imposição de tarifas comerciais.

Durante os debates, o procurador-geral dos EUA, John Sauer, argumentou que as tarifas não tinham como objetivo gerar lucro para o governo, mas sim regular o comércio. Contudo, a Suprema Corte não aceitou essa justificativa, com a juíza Sonia Sotomayor destacando: “Vocês querem dizer que tarifas não são impostos, mas é exatamente isso que elas são.”

A decisão coloca fim a um movimento que se intensificou em 2025, quando Trump impôs uma série de aumentos nas tarifas sobre produtos importados, incluindo uma sobretaxa de 10% sobre mercadorias brasileiras.

No entanto, a medida foi ampliada para 50% em julho do mesmo ano, causando um impacto significativo nas relações comerciais dos EUA com o Brasil. A Suprema Corte considerou que o uso da legislação de emergência para justificar a imposição dessas tarifas foi uma violação da autoridade do Executivo, reforçando o limite de poderes do presidente.

Em abril de 2025, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um grande aumento tarifário. Foto: Divulgação

O impacto das tarifas foi sentido no Brasil, que viu suas exportações para os EUA encarecerem substancialmente. A medida foi uma tentativa de Trump de corrigir o que ele considerava uma balança comercial desigual, alegando que os EUA estavam em desvantagem.

Apesar disso, dados econômicos mostram que o Brasil apresenta um déficit na balança comercial com os EUA, desafiando a justificativa de Trump. Em sua decisão, a Suprema Corte argumentou que, embora a Lei de 1977 permita ao presidente agir em situações de emergência, ela não cobre a imposição de tarifas como forma de tributo.

O tribunal destacou que a regulamentação prevista na lei não pode ser confundida com a tributação, uma vez que o governo não conseguiu identificar nenhuma legislação que conferisse ao Executivo o poder de tributar. Com isso, o tribunal reafirma os limites da atuação presidencial em questões econômicas e comerciais.

A batalha legal teve início com uma ação de empresas e estados americanos que contestaram o uso indiscriminado dessa lei para aumentar tarifas. A Suprema Corte recebeu o caso após um recurso do Departamento de Estado dos EUA, que buscava reverter a decisão de um tribunal de apelação que já havia considerado a medida ilegal.

Para o Brasil, a derrubada das tarifas pode representar uma recuperação econômica nas exportações para os EUA, que haviam sido impactadas de forma agressiva pela administração Trump.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.