Por que a UE vai proibir importação de carnes, ovos e animais do Brasil

Atualizado em 12 de maio de 2026 às 13:12
Frigorífico. Foto: ANPR/Sindiavipar

A União Europeia (UE) anunciou a exclusão do Brasil de sua lista de países autorizados a exportar carnes, ovos e outros produtos alimentícios para o bloco, devido ao uso excessivo de antibióticos na pecuária. A decisão, que afetará exportações a partir de 3 de setembro, foi motivada pela falta de garantias por parte do país de que os antimicrobianos usados na produção de alimentos não comprometem a saúde pública, como exige a legislação do bloco.

A lista publicada pela Comissão Europeia inclui países como Argentina, Colômbia e México, que continuam autorizados a exportar para a Europa, por estarem em conformidade com as normas sanitárias europeias. A ausência do Brasil é um marco, já que o país é um dos maiores exportadores de carne do mundo.

A UE indicou que a lista poderá ser revista, caso as autoridades brasileiras forneçam as garantias exigidas sobre o uso de antimicrobianos. A porta-voz da Comissão Europeia, Eva Hrncirova, afirmou que a decisão de excluir o Brasil implica a proibição da exportação de uma série de produtos alimentícios, como bovinos, equinos, aves de capoeira e seus derivados.

O impacto será sentido especialmente na indústria de carnes, ovos e mel, que têm grande participação nas exportações brasileiras para a Europa.

Bandeiras do Mercosul e da União Europeia. Foto: Reprodução

A publicação da lista é uma resposta às críticas recebidas pela UE, especialmente da França e do setor agrícola, sobre a assinatura do acordo de livre comércio com os países do Mercosul. O acordo, que entrou em vigor de forma provisória em 1º de maio de 2026, aguarda uma decisão judicial na Europa sobre sua legalidade.

“Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona”, disse Christophe Hansen, comissário europeu para a Agricultura.

As normas europeias proíbem o uso de antimicrobianos para promover o crescimento animal ou aumentar a produção. Também é vedado o uso de antibióticos que são reservados para tratar infecções humanas. Essas regras fazem parte da política da UE para combater a resistência dos micróbios aos medicamentos e evitar o uso desnecessário de antibióticos.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.