Por que Aécio Neves foi parar no hospital. Por Kiko Nogueira

Aécio pela fresta da janela de casa no dia em que o Senado o salvou

Aécio Neves sucumbiu à pressão e deu entrada no hospital Santa Lúcia, em Brasília, na manhã desta quinta, dia 12.

Em nota, o nosocômio (adoro esse termo) informou somente que o senador fez exames de rotina e foi para casa por volta das 15h. Não se tem ideia de que medicação tomou para se acalmar.

Aécio é um homem que sente a água batendo na bunda. A coragem nunca foi, como se sabe, uma marca do tucano.

Em outubro, viralizou uma foto sua olhando pelas frestas de uma persiana, acuado, depois da votação no Senado que o salvou.

Na semana que vem, o STF decide se aceita a denúncia contra ele no caso da propina de 2 milhões de reais de Joesley. Pode virar réu.

Foi denunciado por Rodrigo Janot, então PGR, por corrupção passiva e obstrução de justiça.

No mesmo inquérito estão a irmã Andrea Neves, Frederico Pacheco, o primo Fred, aquele que dava para mandar matar, e Mendherson Souza Lima, ex-assessor parlamentar do amigão Zezé Perrella.

Depois que Alckmin ficou livre da Lava Jato por obra de um procurador primo de seu aliado Agripino Maia, do DEM, Aécio tem tudo para virar o álibi para contrabalançar a prisão de Lula.

É preciso dar ao menos a impressão de que a lei é para todos e nada melhor que o Mineirinho para isso.

Aécio é um cadáver político. Não pode andar em Minas Gerais sem ser hostilizado. Pega carona em jatinhos. Correligionários tentam convencê-lo a desistir de tentar o Senado.

Blindado ao longo da carreira, responde mal às vicissitudes. Entrou em surto depois de perder em 2014, tirou do esgoto milícias fascistas, montou no golpe como se não tivesse amanhã.

Num Roda Viva, durante a campanha, teve um semi chilique quando lhe foi perguntado sobre os boatos acerca do consumo de cocaína.

Nervoso, tentou desqualificar o jornalista Fernando Barros e Silva e atribuiu tudo ao “submundo da internet” — algo que teria que incluir boa parte da população brasileira, incluindo José Serra.

O deputado federal Henrique Fontana almoçou com os filhos de Lula que o visitaram na prisão. 

“Disseram que ele está tranquilo, bem disposto, fazendo ginástica todos os dias e muito feliz com toda rede de solidariedade pela sua liberdade que está se formando no Brasil e no mundo”, relata.

Eis uma maneira estoica de reagir. A própria Andrea ficou alguns dias na cadeia e segurou firme.

Aécio é outra coisa — e Andrea deve ter aquele misto de comiseração e raiva da tibieza moral do mano.

Ninguém deve estranhar se, nos próximos dia, ele não baixar novamente no Santa Lúcia, desta vez para uma temporada mais duradoura.

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