Por que Alckmin vai transformar Doria em cavalo paraguaio. Por José Cássio

Fernando Haddad e Geraldo Alckmin no debate da CNBB. Foto: Reprodução/Twitter

Uma máxima política diz que a vingança é um prato que se come frio.

João Doria, o traidor, tem tudo para sentir na pele essa verdade.

Leio neste DCM que, em meio a troca de afagos entre Lula e FHC, um petista e um tucano farão uma live sobre democracia na próxima semana.

Sim, isso mesmo.

Fernando Haddad e o ex-governador tucano participarão de uma conversa promovida pelo Instituto Política Viva na terça, 25.

Haddad e Alckmin são próximos.

Se aproximaram quando o petista foi prefeito de São Paulo e o tucano governador do Estado. Tornaram-se amigos.

A agenda agradou Lula, provavelmente está agradando FHC, que tem a chance de fazer as pazes com a história antes de pendurar as chuteiras e recolher-se, e desagradou o governador de São Paulo – Doria já se preparava para negar Alckmin pela terceira vez.

A primeira foi quando elegeu-se prefeito de São Paulo e, já no dia da posse, virou as costas para aquele que o ajudou a chegar lá.

Sem Alckmin, na época governador de São Paulo, João Doria teria tido dificuldade para conseguir uma cadeira na Câmara de vereadores.

Era um desconhecido e até ridicularizado no meio político. Foi eleito prefeito graças ao apoio do governador, a quem abandonou de novo na campanha de 2018 para se rastejar feito barata na cola de Bolsonaro.

O terceiro golpe já é fato anunciado: Doria escanteou Alckmin no PSDB e trabalha para que Rodrigo Garcia seja candidato à sua sucessão no ano que vem.

Bem posicionado nas pesquisas, o ex-governador agiu rápido: organizou sua saída do PSDB enquanto negocia com outras siglas e agora aparece sinalizando uma possível aproximação com o PT.

Um golpe de mestre.

Se a negociação avançar, as chances de Geraldo chegar ao seu quinto mandato como governador são enormes. Ele manteria o apoio do centro e evitaria choque com a esquerda.

João Doria ficou num mato sem cachorro. Já anunciou o candidato à sua sucessão, o vice Rodrigo Garcia, e não tem a certeza da vaga para a disputa da presidência.

Afoito, tem tudo para entrar para o anedotário como ‘cavalo paraguaio’, para usar outra expressão bem popular no universo político.

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