Por que concurseiros estão preocupados com eventual vitória de Flávio

Atualizado em 5 de maio de 2026 às 16:12
Flávio Bolsonaro. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O temor de que Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato à Presidência, possa vencer as eleições de 2026 tem influenciado candidatos aprovados em concursos públicos federais, principalmente aqueles que estão no cadastro de reserva. Eles aguardam eventual convocação além das vagas iniciais previstas nos editais, o que depende de decisões administrativas do governo.

Segundo a Folha de S.Paulo, parte desses aprovados avalia que uma mudança de governo pode reduzir as chances de nomeação, principalmente em caso de derrota de Lula para Flávio. A avaliação considera diferenças nas políticas de contratação e expansão do serviço público.

Entidades de classe passaram a atuar para pressionar o governo federal. A Anafitra (Associação Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho), que representa auditores-fiscais do trabalho, entrou com ação na OIT (Organização Internacional do Trabalho) pedindo ampliação das contratações, como forma de acelerar nomeações antes de restrições eleitorais.

Pela legislação, a partir de três meses antes do primeiro turno, há limitações para nomeação de servidores. Embora concursos homologados antes desse período possam gerar convocações, especialistas apontam que o prazo reduz a margem de decisões administrativas.

Candidatos do Concurso Nacional Unificado em dezembro de 2025. Foto: Allison Sales/Folhapress

Segundo Mario Diniz, diretor da Anafitra, a janela para nomeações é curta. Ele afirma que, sem decisões imediatas, os aprovados podem depender da próxima gestão. A avaliação é compartilhada por outras pessoas que acompanham o processo e candidatos organizam mobilizações e grupos para pressionar o governo atual a autorizar novas convocações.

Rudinei Marques, presidente do Fonacate (fórum que reúne carreiras de Estado), afirma que a preocupação é generalizada entre aprovados. Ele destaca que há possibilidade de aproveitamento de candidatos em diferentes órgãos dentro de uma mesma carreira, dependendo de autorização governamental.

Dados do Ministério da Gestão e Inovação apontam um aumento nas contratações em relação ao período anterior. Entre 2019 e 2022, foram 10.765 contratações federais, enquanto até março de 2026 o número chegou a 19.381. No governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, houve redução no total de servidores, com queda de cerca de 9,5% no quadro federal.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.