
Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avaliam que uma eventual candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), à Presidência em 2026 pode beneficiar o campo bolsonarista. A leitura, no entanto, é contestada por análises recentes que apontam uma estratégia diferente por parte do governador, com foco direto na disputa interna da direita.
Segundo o Globo, pessoas próximas ao senador avaliam que a movimentação de Caiado não estaria centrada prioritariamente no enfrentamento ao Presidente Lula (PT), mas sim em um confronto com o próprio Flávio Bolsonaro. A intenção seria ampliar espaço político dentro do campo conservador, atraindo eleitores e consolidando uma alternativa competitiva na corrida para disputar o segundo turno contra o petista.
Levantamentos da consultoria GPP indicam que Caiado, apesar de posicionado à direita, tem maior capacidade de diálogo com o eleitorado de centro. Esse fator é visto como central para sua estratégia eleitoral, já que pode permitir a conquista de votos que hoje estariam associados ao bolsonarismo.
Os dados apontam diferenças importantes na percepção pública dos dois nomes. Caiado é visto como um político com atributos de honestidade, experiência administrativa e liderança no agronegócio. Já Flávio Bolsonaro enfrenta avaliações negativas nesses quesitos, o que, segundo a análise, pode favorecer o governador goiano na disputa por espaço.

A escolha de Caiado como possível candidato do PSD à Presidência, no lugar de Ratinho Junior, também estaria baseada em pesquisas qualitativas conduzidas sob a coordenação de Gilberto Kassab. A avaliação interna é de que, entre os nomes disponíveis, o governador de Goiás teria mais chances de atrair eleitores de centro que rejeitam o Presidente Lula, mas também não votariam em Flávio Bolsonaro.
Ainda assim, a estratégia envolve riscos. Para se viabilizar, Caiado precisaria adotar uma postura de enfrentamento direto ao bolsonarismo, o que pode gerar tensões e parecer incoerente, já que mantém histórico de alinhamento com esse grupo político. Além disso, há o risco de parte do eleitorado de centro migrar para Lula em vez de aderir à candidatura do governador.
Pesquisas recentes da Genial/Quaest mostram Caiado com 4% das intenções de voto em um cenário de primeiro turno com Lula (39%) e Flávio Bolsonaro (32%). Em um eventual segundo turno, o governador teria 32%, contra 44% do petista.
Outro desafio será unificar o PSD, que abriga lideranças com posições diversas, incluindo nomes mais próximos da centro-esquerda. Esse cenário reforça a complexidade da disputa de 2026, que tende a ser marcada por divisões internas no campo da direita e por rearranjos estratégicos entre partidos e lideranças.