Por que esta foto em que um policial negro ampara um racista viralizou. Por Marcos Sacramento

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A imagem do policial negro ajudando um racista que passou mal durante a manifestação contra a retirada da bandeira confederada do capitólio da Carolina do Sul (EUA), no último sábado, viralizou na internet e está sendo louvada como símbolo do triunfo da paz contra a violência.

O próprio policial Leroy Smith acredita que a foto pode ajudar a superar o ódio e os atos de violência registrados no país nas últimas semanas.

Se por um lado a imagem mostrou a nobreza e o profissionalismo de Leroy Smith, por outro explicitou a torpeza dos defensores da supremacia branca, que oportunamente deixaram de lado o ódio racista para pedir ajuda ao primeiro policial negro que encontraram.

Segundo nota divulgada pelo Departamento de Segurança Pública da Carolina do Sul, Smith foi acionado por um dos membros da Ku Klux Klan para ajudar dois colegas que passavam mal por causa do calor.

Só este detalhe torna difícil acreditar que a foto poderá sensibilizar esse tipo de gente cínica que tatua suásticas e ostenta o símbolo dos Estados Confederados. Uma choldra que produz sujeitos como o assassino Dylann Storm Roof, autor do atentado racista em uma igreja em Charleston, mas que diante das dificuldades não têm vergonha de pedir ajuda àqueles que dizem odiar.

O próprio Roof, bem como os racistas que marcharam na Carolina do Sul, tiveram oportunidade de conhecer uma história ainda mais nobre que a de Smith. O caso aconteceu em 1996, em Michigan, quando a jovem negra Keshia Thomas, na época com 18 anos, salvou um simpatizante nazista de ser linchado durante um protesto contra a KKK.

Nesses quase 20 anos, contudo, os crimes com viés racial não deixaram de ocorrer nos EUA. Casos de negros que morreram durante abordagens ou após detenções por policiais brancos acontecem com uma frequência assustadora. A morte mais recente foi a de Sandra Bland, encontrada morta na prisão três dias depois de ser detida durante uma blitz de trânsito no Texas.

Por mais simbólica que seja, a imagem de Leroy Smith não é um chamado para “restaurar a fé na humanidade”. Ele e Keshia Thomas seguiram os preceitos lançados por Martin Luther King 50 anos atrás, apenas isso.

Só dá para acreditar nessa tal restauração quando manifestações racistas como as da Carolina do Sul e mortes suspeitas como a de Bland forem extintas da sociedade, mas os acontecimentos recentes sinalizam que isso está longe de acontecer.

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