Por que Fachin recusou inquérito da PF sobre as ameaças que diz sofrer? Fake news? Por Kiko Nogueira

Tá esquisito, ministro

O ministro do STF virou notícia, ao longo desta semana, por causa das ameaças que ele disse estar sofrendo e que envolvem sua família.

O caso é grave e precisa, obviamente, ser apurado para que os culpados sejam punidos.

O curioso é que o Fachin não quer que isso ocorra.

O diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro, conversou pelo telefone com ele e colocou duas equipes à disposição —uma para fazer a análise dos riscos a que estão submetidos os familiares; outra para abrir um inquérito.

Segundo o insuspeito Josias de Souza, Fachin agradeceu e declinou, alegando que Cármen Lúcia, presidente da corte, já tomara as providências necessárias.

Raul Jungmann, o chefe da pasta da Segurança Pública, explicou que que, sem uma “representação”, não há como iniciar uma investigação.

Não se sabe quais “providências” Cármen tomou. Até agora, o que ela fez de mais enfático foi dar mais uma entrevista, desta vez ao Estadão.

“Numa democracia, as pessoas se manifestam. O que não é aceitável é ultrapassar os limites da lei, da legalidade”, declarou, eternamente pedestre.

A intimidação a Fachin virou manchete. 

Fachin fez a revelação ao jornalista Roberto D’Ávila, da GloboNews, que comprou a história pelo valor de face. “Que coisa triste, hem?”, lamentou, sincerão.

Não quis saber se o interlocutor tinha alguma pista de onde vinham as agressões. A curiosidade morreu ali.

Seus colegas na Globo tiveram um piti. Gerson Camarotti dava cambalhotas sobre a gravidade da coisa, o fim da democracia etc.

Leilane Neubarth, comme d’habitude, repetia exasperada o que lhe mandavam apregoar no ponto eletrônico, sem ter a mínima ideia do que acontecia.

No Jornal Nacional, o presidente da OAB, Carlos Lamachia, proferiu a velha arenga em defesa das instituições pela qual ficou famoso. Associações de juízes e entidades de procuradores soltaram comunicados indignados. Etc.

O escândalo serviu para insinuar que os suspeitos são seguidores de Lula e contrabalançar com o noticiário sobre o atentando à caravana no Paraná. 

Depois de toda a grita, Fachin não quer investigação. Por quê? 

Hipóteses:

  1. A coisa foi fabulada
  2. Ele não tem fé na polícia e na Justiça, como todos os brasileiros.

Se for fake news, o que acontece com Edson Fachin? Não precisa responder.

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