Por que Haddad está apostando na mobilidade urbana para ser reeleito em SP. Por José Cássio

SAO PAULO 01 DE JULHO DE 2014. INAUGURACAO DA CICLOVIA DA AVENIDA DUQUE DE CAXIAS. PARTICIPAM O PREFEITO FERNANDO HADDAD O SECRETARIO MUNICIPAL DE TRANSPORTES JILMAR TATTO E SUBPREFEITO DA SE ALCIDES AMAZONAS. FOTO: FABIO ARANTES/SECOM

 

Para reverter a quarta colocação na pesquisa do Ibope, em que aparece atrás de Erundina (PSOL), Marta (PMDB) e Celso Russomanno (PRB), o PT espera convencer os eleitores de que Fernando Haddad deve ser reeleito para mais quatro anos de mandato apostando na principal bandeira de gestão do atual prefeito: a mobilidade urbana.

Para o vereador Paulo Fiorilo, presidente do diretório municipal do partido, esse é o grande acerto da gestão de Haddad.

“Quando você prioriza a mobilidade urbana, você está dialogando com todos aqueles que utilizam a cidade. Ou seja, com 100% da população”, diz o vereador.

Apesar de receber diversas críticas, as iniciativas nesta área de fato contam com o apoio da maioria dos paulistanos.

Segundo o próprio Ibope, 92% dos paulistanos aprovam os corredores de ônibus, locais reservados nas vias para a circulação do transporte público municipal.

A cidade, que até 2012 contava com apenas 90 quilômetros de faixas, passou a ter 412,6 quilômetros, superando com folga a meta inicial de 150 quilômetros.

As ciclovias e ciclofaixas, projetos polêmicos, são aprovadas por 51% dos entrevistados, contra 44% que as rejeitam.

Os críticos argumentam que as ciclofaixas foram mal planejadas e que não há demanda para elas. Moradores de áreas nobres da cidade chegaram a acionar o Ministério Público para impedir sua implantação nas vias de seus bairros.

Em 2012, 65% dos paulistanos afirmaram que deixariam o carro em casa se outras opções, como transporte público e bicicletas, fossem viáveis.

Em muitas cidades mundo afora, precisou-se de uma estrutura cicloviária para que a bicicleta se tornasse uma opção de transporte e que os ciclistas cresçam em número.

Já em 2014, o número de ciclistas em São Paulo havia crescido 50%, de acordo com o Ibope.

Com a redução de velocidade nas vias, a mesma coisa: 51% aprovam a iniciativa, contra 46% que a rejeitam.

Apesar das críticas, o fato é que, dois meses após sua implementação, houve uma queda de 36% no número de acidentes com vítimas e de 21% no de acidentes sem vítimas, sem contar a redução média dos congestionamentos em 6%.

“Nosso diálogo com a sociedade se sustenta na concepção de modernidade que este governo representa” explica Fiorilo. “São ações práticas que estão melhorando a vida das pessoas”.

Que isso desagrada setores conservadores não é novidade – e o PT sabe que jamais  vai contar com esses apoios.

A incógnita dessas eleições, porém, será a reação dos setores progressistas, já que, na pesquisa do Ibope, aparecem embolados no “segundo bloco” de onde, segundo os especialistas sairá o novo prefeito, Marta Suplicy (PMDB), Luiza Erundina (PSOL), o próprio Haddad e o representante do PSDB, João Doria.

Para Fiorilo, o candidato que irá aglutinar o apoio das camadas progressistas será Haddad.

Ele sustenta sua tese considerando o fato de Erundina estar em um partido pequeno, Marta em um partido sem militância e sem uma grande bancada de vereadores e a inexperiência de Dória.

“Trabalhamos com a leitura de que existe um caminho muito grande a ser percorrido – e o prefeito tem todas as condições de, novamente, ir para o segundo turno e ser reeleito. Além disso, é importante considerar que, nesta mesma pesquisa, quando o eleitor é perguntado espontaneamente, Haddad aparece em primeiro, à frente de Russomanno”.

O dirigente também lembra que, na disputa passada, o prefeito começou com 3% das intenções de voto e acabou vitorioso no final.

Pergunto como o partido está se organizando para lidar com a influência da crise nacional que o PT vem enfrentando. Fiorilo diz que vê essa crise também entre os adversários.

“Estamos vendo agora a situação do PMDB: presidente da Câmara afastado, presidente do Senado pode ser processado, o presidente interino mergulhado em denúncias”, explica. “Vamos para o PSDB, a mesma coisa. Então a crise é conjuntural, não de um partido isolado, e o eleitor, mais do que imaginamos, tem clareza disso”.

Outro ponto favorável, segundo Fiorilo, é a capilaridade do partido em todas as regiões da cidade – pesquisas mostram que, com 12%, o PT é o primeiro na preferência dos eleitores.

“A militância está respondendo positivamente porque entende a importância de fazer a defesa do PT e do governo de Fernando Haddad”, diz. “Temos 37 diretórios zonais organizados e ativos. Temos a maior bancada de vereadores, com 10 representantes. Nas nossas caravanas com o prefeito para prestar contas, a presença do público surpreende  pela quantidade e pela empolgação. As perspectivas são excelentes”.

 

O jornalismo do DCM precisa de você para continuar marcando ponto na vida nacional. Faça doação para o site. Sua colaboração é fundamental para seguirmos combatendo o bom combate com a independência que você conhece. A partir de R$ 10, você pode fazer a diferença. Muito Obrigado!