O casamento da paranóia com a hipocrisia: por que Lobão quer censurar o CQC

Lobão

 

Lobão é um campeão da liberdade de expressão. É uma causa que ele defende com ardor. Denuncia abusos na Venezuela, na Ucrânia e, principalmente, claro, no Brasil, onde a escalada do “bolivarianismo” o preocupa sobremaneira. Defendeu o colega Danilo Gentili em todos os casos em que o ex-comediante foi processado. Ele tem certeza de que já vivemos numa ditadura.

Não perdoa os inimigos. De Dilma (“inapta” e de “uma estupidez galopante”) a Lula, de Pablo Capilé a Caetano e Roberto Carlos (uma “múmia”) — todos os que fazem parte do universo esquerdopata apanham. Grita contra a censura governista, arma um circo quando sua página nas redes sociais — ou a de seus aliados, como Olavo de Carvalho   — saem do ar. Não interessa o motivo real, há sempre uma conspiração comunista por trás, mesmo que isso ocorra com contas de esquerda também.

Um democrata, enfim.

Quer dizer, isso é o que os inocentes e os não tão inocentes que acreditam nele acham.

Lobão mostrou sua verdadeira faceta autoritária ao tentar proibir um programa de TV de colocar no ar uma pegadinha que lhe fizeram. O advogado Alessandro de Oliveira Amadeu, que o representa, enviou uma notificação para a Bandeirantes e a produtora Eyeworks. “O Sr. João Luiz Woerdenbag Filho (Lobão) não autoriza a exibição de sua imagem e voz, em especial, no programa ‘CQC’ e qualquer outro”, diz o documento.

O que irritou o democrata: num novo quadro, chamado Torcida Vip, a plateia canta um hino de futebol adequado ao convidado. No caso de Lobão, a música dizia assim: “Pó, pó, pó, pó, pó, pó, pó, pó / Simpatizava com Lula-la / Agora caga pra geral / Tem a língua afiada/ Mas afinou pro Mano Brown”.

Lobão teria surtado, xingou o repórter e tentou tirar o microfone dele. Ficou especialmente irritado com o trecho que menciona Mano Brown (no ano passado, o rapper convocou Lobão para uma conversa “de homem”; este, sabiamente, refugou). Lobão disse aos tais torcedores: “Mano Brown é o caralho”.

A Band declarou que vai manter a atração. “Eu não me dirigi a ninguém. Isso é uma cilada criminosa”, disse ele num de seus hang outs. “Tem uma rede inteira querendo pegar você!” Alguém fez uma definição precisa de Lobão: “Um esquerdista infiltrado na direita para desmoralizar a direita”.

Num lapso freudiano, ele mesmo repete essa descrição, ridicularizando-a. No universo paranóico e hipócrita de Lobão, liberdade de expressão é um conceito relativo e assassinato de reputações vale se a vítima estiver do outro lado. Se não, é uma cilada, uma calúnia e para isso servem os advogados.

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