Por que Lula decidiu não ser alvo de emboscada em debates

Atualizado em 17 de agosto de 2026 às 11:13
O presidente Lula durante debate nas eleições de 2022. Foto: Bruno Santos/Folhapress

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu que o presidente não participará do debate da Band marcado para domingo (23). A equipe avalia que o formato, com candidatos que não precisariam ter presença assegurada pela legislação eleitoral, cria um ambiente em que Lula ficaria submetido a uma sucessão de ataques sem condições consideradas equilibradas para responder.

A decisão ainda será formalmente reavaliada em uma reunião nesta semana, mas a possibilidade de recuo é considerada pequena. A campanha também pretende manter Lula em entrevistas, podcasts e sabatinas, onde avalia ter melhores condições para apresentar propostas e responder aos adversários.

O ponto central da reclamação é a composição do debate. A organização convidou, entre outros, Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). Pela legislação eleitoral, a participação é assegurada aos candidatos de partidos com pelo menos cinco parlamentares no Congresso, enquanto a presença dos demais depende da decisão das emissoras.

Estúdio de debate na Band. Foto: Reprodução

Se a Band pretende ampliar o debate para candidatos sem a representação mínima prevista em lei, deveria adotar o mesmo critério para todos. Caso contrário, a organização deveria restringir a lista aos candidatos cuja participação é assegurada pelas regras eleitorais.

A experiência do debate presidencial de 2022 também pesa no discurso político da campanha. Naquele ano, Lula chegou a enfrentar Padre Kelmon, candidato que se tornou um dos principais personagens das provocações dirigidas ao petista e que foi acusado de atuar como uma espécie de escada para Jair Bolsonaro durante o confronto. A estratégia de Lula agora é evitar repetir um cenário em que o candidato aparece como alvo preferencial de múltiplos adversários.

A discussão, portanto, não envolve apenas a presença ou ausência de Lula, mas o próprio modelo dos debates: ou as emissoras adotam critérios amplos e coerentes para todos os candidatos, incluindo siglas como UP, PCB e PSTU, ou restringem a participação aos partidos que atendem aos critérios mínimos de representação no Congresso.

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