
A pesquisa do Datafolha divulgada neste sábado, 11, aponta um cenário de disputa acirrada para a eleição presidencial deste ano. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece numericamente empatado com Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno, com 45% contra 46% das intenções de voto.
É a primeira vez que o extremista surge à frente de Lula em um levantamento do instituto. No primeiro turno, porém, Lula demonstra boa vantagem com 38% contra 32%. Com a disputa em estágio inicial, os dados do Datafolha indicam que a disputa de 2026 se tornará cada vez mais imprevisível, com novos atores como Ronaldo Caiado e Romeu Zema começando a ganhar espaço.
Esses elementos têm menos polarização, o que pode representar um risco para Lula, cuja vantagem já não é mais confortável. Além disso, as fake news espalhadas pela extrema direita, especialmente contra o sistema eleitoral, mostram que fazem efeito no imaginário popular: o Datafolha aponta uma desconfiança generalizada no processo eleitoral, com 69% dos entrevistados expressando insegurança quanto nesse quesito, o que reflete a volatilidade política do momento.
Por outro lado, o cientista político Cristiano Noronha, entrevistado pela Veja neste fim de semana, e que analisou a disputa com um olhar estratégico, destaca que, apesar do estreitamento das intenções de voto, Lula ainda se mantém como favorito. Noronha afirmou que a “polarização política atingiu um nível tão alto que cerca de 83% do eleitorado já tomou uma decisão”, e as críticas e denúncias, em sua maioria, “tendem a reforçar as convicções já existentes, sem alterar significativamente o comportamento eleitoral”.
O cientista político prevê uma disputa apertada, com uma possível vantagem de cerca de quatro pontos percentuais para o vencedor, considerando o cenário consolidado de votos. Também observou que os escândalos de corrupção, como os envolvendo o mensalão e o petrolão, não têm mais o impacto que tiveram nas eleições passadas, já que são amplamente conhecidos pelo eleitorado. Contudo, alertou que novas denúncias envolvendo figuras relevantes ou instituições poderiam modificar o quadro.
Em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro, Noronha acredita que seu crescimento tende a desacelerar. O senador já conseguiu reduzir uma diferença significativa, que antes era de 17 pontos para algo em torno de 4 a 5 pontos, mas com o eleitorado já consolidado, seus ganhos futuros deverão ser mais modestos.
Embora Lula ainda possa reagir, sua recuperação de popularidade deverá ser limitada, com um crescimento “potencial entre dois e cinco pontos”, que pode resultar numa nova vitória contra a extrema direita, como no segundo turno em 2022, quando o presidente derrotou Bolsonaro com 50,90% dos votos válidos, contra 49,10%, uma diferença de aproximadamente 2 milhões de votos.