Por que Marta tem medo de Erundina? Por Nathalí Macedo

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Mais um infortúnio pode ser posto na conta de Eduardo Cunha. Graças ao seu projeto de reforma sem participação social, Luíza Erudina (PSOL), candidata a prefeita de São Paulo, não será ouvida no debate da Bandeirantes. Também não ouvirão Marcelo Freixo (PSOL), favorito à prefeitura do Rio.

Segundo a antiga regra, as emissoras de rádio e TV eram obrigadas a convidar todos os candidatos de partidos que tinham pelo menos um deputado na Câmara. Agora, só serão ouvidos os candidatos de partidos com pelo menos nove deputados federais, em favor dos grandes partidos tradicionais e em desfavor dos partidos emergentes como o PSOL.

Marta Suplicy – a quem Erudina corajosamente chamou de traidora do povo – votou contra a participação de sua opositora no debate (assim como Dória e os opositores de Freixo, Flavio Bolsonaro e Pedro Paulo, registre-se).

Pudera: Erudina ofusca qualquer discurso. No lançamento de sua candidatura, em julho, prometeu falar grosso com os poderosos – e como duvidar da mulher que sentou na cadeira de Eduardo Cunha? – e disse que faria um governo de participação popular. Quando prefeita (1989-1993) teve ótima aceitação e está, afinal, filiada a um partido que não se envolveu em grandes escândalos de corrupção.

Marta, ao contrário, é peemedebista tal qual o golpista-mor, e, assim como ele, já conhecida como traidora do povo.

É fácil, portanto, descobrir o que teme Marta Suplicy: ela teme ser ridicularizada e politicamente massacrada, porque sabe do que Erudina é capaz. Assim agem os traidores peçonhentos: puxam o tapete dos oponentes para não precisarem enfrentá-los.

Os boicotadores da democracia no debate precisam ser constrangidos. Precisa-se fazer saber que Marta Suplicy, João Doria (em São Paulo), Flavio Bolsonaro e Pedro Paulo (no Rio) silenciaram seus oponentes para não enfrentá-los. E que, antes disso, que Eduardo Cunha é o grande responsável pela manutenção dos privilégios dos grandes partidos.

Precisa-se dizer e repetir, em alto e bom som, que candidatos que se recusam a discutir propostas com seus opositores, diante dos olhos do povo, não podem estar bem-intencionados (o que é inclusive uma redundância, porque é claro que um Bolsonaro não estaria bem-intencionado).

Registrada esta vergonhosa realidade, a esperança: Em tempos de redes sociais e de uma juventude politicamente engajada e vacinada contra a TV aberta, não é preciso temer tanto pelo veto em um debate qualquer da Bandeirantes.

Erudina definitivamente não esmorecerá por isso. Há, afinal, alguma coisa de que esta geração precise mais do que uma candidata de esquerda fazendo bonito nas eleições mesmo sem espaço em grandes emissoras?

Eleita ou não, Erudina tem feito bonito. Marta e Dória – eleitos ou não – só têm ratificado a própria covardia.

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