Por que nem o golpista do MBL concorda com o entreguismo de Flávio Bolsonaro

Atualizado em 30 de maio de 2026 às 12:40
Renan Santos – Foto: Reprodução/YouTube

O pré-candidato à presidência pelo partido Missão, Renan Santos, publicou em seu perfil no X, nesta quinta-feira (29), que “americano nenhum vai matar nossos bandidos. Quem vai matar seremos nós”. A postagem foi feita horas após os Estados Unidos classificarem as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Ou seja, nem a extrema-direita, personificada no representante do golpista do MBL, concorda com o entreguismo dos Bolsonaro. Com informações da Globo.

No post, que registrou mais de 140 mil visualizações, Santos destacou a atuação das forças de segurança brasileiras: “honra e glória aos nossos policiais”. O político criticou a visita do senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), ao presidente estadunidense Donald Trump, chamando o encontro de “humilhação nacional”.

Santos afirmou que a postura do senador do PL terceiriza o combate ao crime: “pedir aos EUA para classificar PCC e CV como organizações terroristas expõe a incapacidade das lideranças brasileiras de enfrentar o crime organizado”. Ele acrescentou que “o combate ao crime organizado exige coragem, inteligência e ação do Estado brasileiro, não a transferência dessa responsabilidade para governos estrangeiros”.

Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca. Foto: Reprodução

O secretário de Estado estadunidense Marco Rubio anunciou, nesta quinta-feira, que o alcance das facções se estende pelo Brasil e pela região. No comunicado, as organizações foram apontadas como “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil” e enquadradas como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs, na sigla em inglês), com previsão de receber a designação de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) a partir de 5 de junho.

A divulgação ocorreu após Flávio Bolsonaro retornar de reunião com Trump e integrantes da cúpula do governo estadunidense. Em março, Eduardo e Flávio Bolsonaro pressionaram a gestão estadunidense para adotar a classificação das facções, segundo reportagens internacionais.

Na quarta-feira (28), Santos publicou outro post no X afirmando que, em seu governo, “todas facções serão proibidas” e que “quem usar símbolos [das facções] será preso”. Em vídeo gravado na praia da Gamboa, em Salvador (BA), ele disse que é proibido usar símbolos associados ao CV e PCC, como gestos com as mãos ou roupas de determinadas marcas, e completou: “No meu governo, todas as facções, absolutamente todas, serão proibidas. E se qualquer pessoa utilizar os símbolos delas andando por aí, será presa. O nome disso é direito penal do inimigo. Eu vou botar em cana absolutamente todos os membros das facções”.