
O ex-governador bolsonarista do Rio de Janeiro Cláudio Castro voltou a ser alvo de uma operação da Polícia Federal, nesta terça-feira (26), e teve mandados de busca cumpridos pela segunda vez em apenas 11 dias. As duas ações fazem parte de investigações distintas que apuram suspeitas relacionadas ao período em que ele comandou o governo fluminense.
A operação mais recente, denominada Compliance Zero, apura supostas irregularidades em investimentos realizados pelo Rioprevidência, fundo previdenciário dos servidores estaduais. A investigação concentra-se em aportes que somam cerca de R$ 3 bilhões em títulos vinculados ao Banco Master durante a gestão dele.
Segundo a PF, há indícios de proximidade entre o ex-governador e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master à época dos fatos investigados. Os investigadores afirmam que a relação extrapolava contatos institucionais e incluía encontros frequentes em ambientes privados e viagens ao exterior.
Na decisão que autorizou as buscas, o ministro André Mendonça registrou que a PF identificou elementos relacionando reuniões entre Castro e Vorcaro aos investimentos realizados pelo fundo previdenciário. O documento menciona que a atuação do ex-governador teria ocorrido em contexto de “vínculo pessoal estreito” com o banqueiro.
A apuração também examina mudanças promovidas na estrutura do Rioprevidência durante a administração estadual. De acordo com os investigadores, alterações na diretoria do órgão teriam sido seguidas pela supressão de etapas técnicas que antecediam a aprovação dos aportes financeiros.

Onze dias antes da operação Compliance Zero, Castro já havia sido alvo da Operação Sem Refino. Nessa investigação, a PF apura suspeitas envolvendo o empresário Ricardo Magro e o grupo Refit. Durante a ação, agentes apreenderam o celular e o tablet do ex-governador.
No inquérito relacionado à Refit, a Polícia Federal sustenta que houve “leniência” por parte de Castro, apontando que sua gestão teria permitido a criação de condições favoráveis para supostas irregularidades investigadas. A defesa do ex-governador afirmou, por sua vez, que os atos praticados pelo governo foram “técnicos e legais” e destacou que sua administração conseguiu cobrar débitos do grupo com o Estado.
O nome de Castro também aparece em outras apurações mencionadas pela PF, incluindo uma investigação sobre supostas ligações do Comando Vermelho com estruturas do governo estadual. Um ato assinado pelo então governador em setembro foi citado pelos investigadores por ter permitido a substituição do então deputado estadual TH Joias por Rafael Picciani na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Além das investigações em curso, Cláudio Castro enfrenta consequências no campo eleitoral. Em março, o Tribunal Superior Eleitoral o declarou inelegível por oito anos por abuso de poder nas eleições de 2022. O ex-governador informou que recorrerá da decisão. Nos bastidores, dirigentes do PL discutem a possibilidade de reduzir sua participação em agendas ligadas à pré-campanha de Flávio Bolsonaro no estado.