Por que o Brasil não é tocado pelos ventos do Chile e da Bolívia? Por Gilberto Maringoni

Plebiscito realizado neste domingo (25) no Chile é fruto da massiva mobilização popular realizada em outubro de 2019 – Reprodução

Publicado originalmente no perfil de Facebook do autor

Antonio Martins, com talento invejável, mostra que o problema não está no povo, mas numa direção política acomodada, que evitou realizar reformas estruturais ao longo de 13 anos e que jamais entendeu os sinais de junho de 2013. Leitura imprescindível.

“Se todos estes problemas afligem também os brasileiros, por que ainda mantém popularidade, aqui, um presidente que age incessantemente para agravar os dramas?

Sem a menor pretensão de apontar respostas definitivas, este texto formula quatro hipóteses. Estão relacionadas, em essência, a um fenômeno central.

A ultra-institucionalização da esquerda brasileira tornou-a insensível aos dramas das maiorias, incapaz de atuar em conjunto com elas e mesmo de analisar o país em seu conjunto e de formular estratégicas e táticas que coloquem em primeiro plano a transformação da sociedade.

Quase toda ação política reduziu-se ao eleitoralismo – a manter espaços nos governos e parlamentos. E esta castração de horizontes utópicos produz, inevitavelmente, o desencanto da população e um salve-se quem puder das supostas lideranças.

À ausência de um projeto, cada uma busca defender, acima de tudo, seu patrimônio político pessoal, o que só pode gerar descoordenação, caos e incapacidade de incidir na conjuntura.”

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