
Os preços internacionais do petróleo recuaram ao fim da última segunda-feira (9) após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que a guerra contra o Irã estaria próxima do fim. Por volta das 19h45 GMT (16h45 em Brasília), o barril do Brent, referência global, era negociado a US$ 87,87, após ter chegado a quase US$ 120 durante o auge das tensões no Oriente Médio.
Em entrevista à rede CBS, Trump afirmou que o conflito avançou mais rapidamente do que o previsto e que a capacidade militar iraniana foi severamente atingida. Segundo ele, as forças do país do Oriente Médio teriam sido praticamente destruídas.
“Olhando bem, não lhes resta nada. Não resta nada em sentido militar”, declarou o presidente estadunidense ao comentar os resultados das operações militares.
As declarações foram feitas em meio aos ataques conjuntos realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciados em 28 de fevereiro. Desde então, Trump tem apresentado avaliações frequentes sobre os impactos da ofensiva.
Apesar da fala do presidente, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos divulgou avaliação diferente. O Pentágono afirmou nesta segunda-feira que as operações militares ainda estão em estágio inicial e declarou que os Estados Unidos “mal começaram a lutar”.
Durante a entrevista, Trump também alertou que Washington poderá assumir o controle do Estreito de Hormuz caso o Irã tente bloquear a passagem marítima. A região é uma das rotas mais importantes para o transporte global de petróleo e a interrupção do tráfego de petroleiros provocou forte volatilidade nos mercados de energia.
Nas últimas semanas, o fluxo de embarcações na área foi reduzido, levando o preço do petróleo a superar a marca de US$ 100 pela primeira vez em quatro anos. A recente queda das cotações ocorreu após sinais de possível redução das tensões militares.
Trump também comentou a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã, após a morte do aiatolá Ali Khamenei. Ao jornal New York Post, o presidente afirmou não estar satisfeito com a nomeação e disse não ter qualquer mensagem para o novo líder.

Em paralelo ao conflito, o governo dos Estados Unidos avalia medidas para conter o impacto da crise energética global. Segundo a agência Reuters, a administração estadunidense discute a possibilidade de flexibilizar sanções contra a Rússia para permitir que países como a Índia continuem comprando petróleo russo sem sofrer penalidades.
A escalada da guerra também levou países asiáticos a adotar medidas emergenciais para evitar desabastecimento de combustíveis. Essas economias são altamente dependentes do petróleo transportado pelo Estreito de Hormuz.
A Coreia do Sul anunciou pela primeira vez em três décadas a adoção de um limite ao aumento de preços de combustíveis. O governo também estuda rotas alternativas de transporte energético.
Na Índia, autoridades enfrentam escassez de GLP. Em Maharashtra, segundo estado mais populoso do país, o maior crematório local suspendeu o funcionamento de 20 câmaras por falta de gás liquefeito de petróleo, passando a utilizar piras elétricas.
Mesmo com a volatilidade no mercado, Trump minimizou o impacto econômico da alta nos preços da energia. Para o presidente, os custos são justificáveis diante dos objetivos estratégicos do conflito. “É um preço muito pequeno a pagar pela segurança e pela paz dos Estados Unidos e do mundo”, afirmou.