Por que Obama é tão frustrante

Igual aos outros

A grande máxima orwelliana da “Revolução dos Bichos” se encaixa à perfeição na política americana.

Todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros.

A elite política americana é igual em seu conservadorismo patriótico e arrogante. A única diferença é que alguns são ainda mais conservadores que outros.

Obama é a comprovação disso.

Quem imaginava que ele traria alguma novidade tem todas as razões para se sentir decepcionado. Obama é igual aos outros. A Bush, Reagan ou quem for. Obama parece ter alma branca, no pior sentido.

Ele tenta unir os americanos, há tanto tempo separados por seus interesses pessoais, em torno da Operação Gerônimo. Não poderia haver causa pior. Bin Laden foi assassinado a sangue frio, e em certos momentos funcionários da Casa Branca mentiram escandalosamente. Disseram inicialmente, por exemplo, que ele se escondeu atrás de sua mulher.

Você une países divididos em torno de grandes causas. Lincoln, para ficar nos próprios Estados Unidos, se agarrou à bandeira da antiescravatura em sua luta contra o sul que se movia à base de trabalho escravo.

Os americanos se igualaram aos jihadistas na Operação Gerônimo. Barbárie versus barbárie. Você pode alegar que se trata de guerra, e então vale tudo. Certo. Mas então que ninguém se queixe quando o outro lado recorrer à mesma lógica para revidar.

Não dá para fingir. Há muitos anos os americanos vêm matando mulheres e crianças com suas bombas no Oriente Médio nas guerras incessantes que travam lá para garantir seu petróleo. É como se a vida valesse menos entre os árabes do que entre os americanos.

Alguém lamentou a morte dos netos de Gaddafi? Eram três, e tinham menos de 12 anos. Onde a indignação, o repúdio?

As pessoas no Ocidente fingem que não vêem isso. Só se mobilizam por uma vida na Arábia quando há um interesse americano forte nisso, como é o caso da iraniana condenada à morte sob a acusação de ter tramado com o amante o assassinato do marido. Interessa aos Estados Unidos desmoralizar o Irã. Há poucos meses uma americana foi fritada numa cadeira elétrica sob acusações parecidas sem que ninguém a defendesse.

Não é à toa que os Estados Unidos são tão odiados.

Um filósofo escreveu que o amor do povo é mais importante para a segurança de um rei do que suas tropas.

Se os Estados Unidos fossem amados pelo “povo” – os países obrigados a aceitar o domínio americano – bin Laden e outros terroristas não teriam tido o menor espaço para fazer o que fizeram.

O mundo será “mais seguro”, como disse triunfalmente Obama, quando o ódio aos americanos for substituído por admiração.

Não é com missões como a Operação Gerônimo – pobre índio, tão mal evocado – que isso vai acontecer.

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