Por que Ronaldo não emagreceu na hora certa?

O Fenômeno devia ter perdido peso quando defendia a seleção brasileira e, depois, o Corinthians

Fenômeno

Ladies & Gentlemen:

O Boss me conta que Ronaldo Fenômeno está perdendo peso ao vivo num programa chamado Fantástico, da televisão brasileira. (Perdão pela ignorância, mas o programa faz justiça ao nome? Tento achar na Inglaterra um programa que merecesse o nome de Fantastic e, francamente, não encontro nada. Mas talvez a tevê britânica não seja tão boa quanto a brasileira.)

Bem, a minha pergunta é uma só: por que o Fenômeno esperou tanto tempo para aprender o básico em dieta e exercícios — e, consequentemente, perder peso?

A hora correta era 2006, na Copa do Mundo da Alemanha, quando a barriga de Fenômeno já se salientava sob a camisa amarela.

Ele teve uma segunda chance. Quando foi jogar no time do Boss, o Corinthians. Eu nunca tinha visto nada parecido. Mesmo Chrissie, minha mulher, que não concorda comigo em nada, admitiu que Ronaldo parecia estar grávido de sete meses.

Isso recebendo muito dinheiro. Naquele momento, eu não acompanhava o futebol brasileiro. Mas, no pub de Parsons Green, entre pints, o Boss me conta, amargurado, que Ronaldo, em sua obesidade oceânica, desfalcou o time até que a torcida, revoltada, dissesse que o Corinthians não era um hospital.

Por que ele não emagreceu antes? Por que um programa de televisão conseguiu uma coisa que um time não conseguiu mesmo pagando uma fortuna para ter Ronaldo em seu ataque?

Imagino que os jornalistas esportivos brasileiros já tenham respostas para isso. Se sim, me informem, por favor. Se não, lamento pelos torcedores do Brasil, espremidos entre cartolas vorazes, jornalistas esportivos pouco inquisitivos – e, pelo visto, uma televisão muito poderosa.

No mais, torço pelo Fenômeno. Espero que ele não emagreça apenas pela conveniência de um contrato com uma emissora de tevê. Porque bons hábitos e bom peso podem ajudá-lo a viver mais e melhor.

Yours, sincerelly.

Scott

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Aos 53 anos, o jornalista inglês Scott Moore passou toda a sua vida adulta amargurado com o jejum do Manchester City, seu amado time, na Premier League. Para piorar o ressentimento, ele ainda precisou assistir ao rival United conquistando 12 títulos neste período de seca. Revigorado com a vitória dos Blues nesta temporada, depois de 44 anos na fila, Scott voltou a acreditar no futebol e agora traz sua paixão às páginas do Diário.