Por que sou contra a federação PT-PSOL. Por Nelice Pompeu

Atualizado em 21 de fevereiro de 2026 às 9:16

 

POR NELICE POMPEU, professora, promotora legal popular e integrante do Movimento Escolas em Luta

Reafirmo: sou totalmente contra a federação entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Trata-se de um debate que ainda está em aberto, sem resolução final. Justamente por isso, as divergências precisam ser respeitadas. Discordar faz parte da democracia.

É importante também explicar a diferença entre federação e coligação.

A federação partidária exige que os partidos atuem de forma conjunta por quatro anos. Já a coligação ocorre durante o processo eleitoral. É uma aliança para somar forças em determinada disputa.

Isso significa que, mesmo sem federação, os partidos podem se unir nas eleições quando houver convergência estratégica.

Foi o que aconteceu em São Paulo, na disputa pela Prefeitura, quando partidos estiveram juntos eleitoralmente, mesmo sem estarem vinculados a uma mesma federação.

Minha posição não é pessoal, nem motivada por animosidade. Trata-se de um posicionamento político legítimo, fundamentado na compreensão de que federação e coligação são instrumentos distintos, com impactos diferentes na autonomia partidária e na construção de projetos políticos.

Quando se tenta reduzir esse debate ao campo pessoal e ofensas, o que se faz é esvaziar a discussão e desviar do essencial: a análise das ideias, das estratégias e das consequências de cada escolha.

O debate precisa ser político e é nesse campo que ele deve permanecer.