Por que Tarcísio demitiu 14 aliados de Derrite em SP

Atualizado em 4 de fevereiro de 2026 às 14:12
Tarcísio de Freitas e Guilherme Derrite. Foto: Divulgação

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, deu início nesta terça-feira (3) a um processo de exoneração em série dentro da área de Segurança Pública. A ofensiva atinge diretamente aliados do ex-secretário da pasta Guilherme Derrite, hoje deputado federal, e marca uma reconfiguração profunda no comando das forças policiais do estado.

Somente na Secretaria da Segurança Pública, ao menos 14 nomes ligados a Derrite devem ser desligados. As mudanças também alcançam os comandos da Polícia Civil e da Polícia Militar, indicando que a decisão não se restringe a cargos administrativos, mas envolve posições estratégicas no sistema de segurança paulista.

Na Polícia Civil, uma das saídas consideradas mais prováveis é a do delegado-geral Artur José Dian. Segundo relatos, ele já teria manifestado a pessoas próximas o interesse em disputar um cargo eletivo, o que abre a possibilidade de afastamento antes do prazo legal obrigatório para desincompatibilização.

Na Polícia Militar, o processo de exoneração deve atingir o corregedor-geral, coronel Fábio Sérgio do Amaral, e o chefe do Centro de Inteligência da PM, coronel Pedro Luís de Souza Lopes. Ambos são apontados como nomes diretamente vinculados à gestão dele.

A ordem para os desligamentos, segundo apuração, já teria sido comunicada ao comando da corporação. O movimento foi atribuído, por integrantes da Segurança Pública ouvidos pela reportagem, a uma determinação direta de Tarcísio ao coronel Henguel Ricardo Pereira.

Até então secretário-chefe da Casa Militar e coordenador da Defesa Civil, ele assumiu nesta segunda-feira (2) a secretaria-executiva da Segurança com a missão de conduzir o afastamento do grupo ligado ao ex-secretário.

Ricardo Nunes, Tarcísio e o coronel Henguel Ricardo Pereira. Foto: Foto: Divulgação

A troca teria sido motivada pelo desgaste entre Tarcísio e Derrite, agravado por declarações de dirigentes do PP sobre disputas eleitorais envolvendo o Senado e o próprio Governo de São Paulo.

Henguel, além do histórico técnico, foi escolhido também por ser desafeto declarado do deputado após desentendimentos relacionados a tentativas de interferência na Casa Militar. No Diário Oficial desta terça-feira, alguns desligamentos já foram formalizados.

Entre eles está o de Cássio Araújo de Freitas, ex-comandante-geral da PM, que ocupava o cargo de chefe de gabinete da Secretaria da Segurança. Também consta na lista a assessora Luana Humer Eid, responsável pela comunicação da pasta e transferida de Brasília por ele durante sua gestão.

A expectativa dentro do governo é que apenas um aliado do deputado do PP permaneça no organograma: o tenente-coronel Rodrigo Vilardi, coordenador do Centro Integrado de Comando e Controle. Outros nomes ligados ao ex-secretário, como Paulo Maculevicius Ferreira, ex-secretário-executivo, também estão fora da nova estrutura.

No caso da Polícia Civil, três delegados são cotados para assumir o comando-geral: Júlio Gustavo Vieira Guebert, Emygdio Machado Neto e Ivalda Aleixo, atual chefe do DHPP. Já na PM, embora a saída do comandante-geral José Augusto Coutinho não seja dada como certa, cresce a possibilidade de ascensão do coronel Carlos Henrique Lucena Folha, considerado próximo de Henguel desde a formação no Barro Branco.

Paralelamente, o governo estadual também promoveu mudanças na Academia de Polícia. Após a crise envolvendo a nomeação de uma delegada apontada como ligada ao PCC, Márcia Heloísa Mendonça Ruiz foi exonerada da direção da instituição. Fernanda Herbella assumiu o cargo na última sexta-feira (30).

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.