Por que todo mundo está falando do grupo russo Pussy Riot

As meninas do PR

 

Nem Lady Gaga, nem Rihana, nem Beyoncé.

Ninguém, no mundo da música pop contemporânea, tem recebido uma cobertura tão maciça da mídia mundial – e nem tem despertado reações tão apaixonadas em escala planetária – como o grupo punk feminino russo Pussy Riot.

Não exatamente pela música – até porque a especialidade do PR são performances, não melodias.

Foi uma dessas performances, no começo do ano, que projetou as garotas do PR à celebridade. Elas protestaram estrondosamente contra o retorno de Vladimir Putin à presidência. Invadiram a catedral da Igreja Ortodoxa em Moscou e, com as balaclavas no rosto que marcam suas apresentações, cantaram uma música em cuja letra a Virgem Maria era invocada contra Putin.

A Rússia é um país profundamente religioso, e milhões de pessoas no país se sentiram profundamente ultrajadas. Três das integrantes da PR foram identificadas e presas por vandalismo – e então a mídia internacional começou a cobrir incessantemente o caso.

Por duas razões, principalmente. Primeiro, porque apareceu uma oportunidade de dar uma pancada na Rússia e em Putin. Mesmo com o fim da União Soviética, os russos continuam a ser vistos com desconfiança pelos americanos e seus aliados – um sentimento amplamente correspondido.

Depois, porque as garotas são bonitas e atrevidas, e além do mais surgiram com a aura – discutível – de mártires da liberdade de expressão.

Alguns chegaram a comparar o julgamento delas com os julgamentos comandados por Stálin na década de 1930 para liquidar companheiros seus bolcheviques que ele via como ameaça a seu poder.

Pataquada. Se houvesse alguma similitude, as meninas – como fizeram as vítimas de Stálin – teriam confessado crimes horríveis e depois simplesmente desapareceriam. Fato: desde Stálin, a Rússia melhorou.

Hoje, elas foram julgadas culpadas de vandalismo. A pena para casos como os delas, em que existe o agravante religioso, varia entre três e sete anos. Mas, numa passagem por Londres para assistir a competições de judô, em que é faixa preta, Putin deixou claro que a pena deveria ser mais leve. Foi mesmo. Dois anos de prisão, decretou a justiça  russa. Elas já cumpriram parte disso, e é provável que, com bom comportamento, sejam libertadas antes do prazo estipulado pelo tribunal.

E então, dada a precariedade de sua arte e a falta de foco e de profundidade de sua causa, as jovens russas fatalmente desaparecerão dos holofotes com a mesma velocidade com que surgiram.

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