Por que Trump voltou a atacar o Pix e o que os EUA podem fazer

Atualizado em 10 de abril de 2026 às 13:05
Pix. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Os Estados Unidos voltaram a atacar o Pix em relatório divulgado em 31 de março pelo Escritório do Representante Comercial (USTR). O documento lista o sistema brasileiro como uma possível barreira comercial, reacendendo a investigação aberta no ano passado sobre supostas práticas desleais.

No relatório, o USTR afirma que o Banco Central do Brasil “concede tratamento preferencial ao Pix”, o que poderia prejudicar empresas americanas de pagamentos eletrônicos. Também menciona a exigência de adesão ao sistema por instituições com mais de 500 mil contas.

O governo brasileiro reagiu ao ataque. O presidente Lula afirmou que o meio de pagamento “é do Brasil” e declarou: “Ninguém vai fazer a gente mudar o Pix”. O sistema também recebeu apoio internacional, incluindo manifestação do presidente colombiano Gustavo Petro, que defendeu sua adoção em outros países.

Especialistas ouvidos pela BBC Brasil apontam que os EUA não têm poder direto para interferir no funcionamento do Pix. As possíveis ações se limitam ao campo comercial, com base na seção 301 do Trade Act de 1974, que permite medidas como tarifas, restrições a importações ou suspensão de benefícios comerciais.

Lula e Trump se reúnem na Malásia. Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

Entre os cenários considerados estão a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros ou a retirada do país de programas como o Sistema Geral de Preferências. Ainda assim, analistas avaliam que essas ações funcionariam como pressão econômica, e não como intervenção direta no sistema de pagamentos.

O endurecimento do discurso pode estar ligado a fatores como o bloqueio do Brasil a uma proposta dos EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre tarifas digitais e decisões judiciais americanas que limitaram o uso de instrumentos tarifários pelo governo Trump.

Outro ponto citado é o avanço do Pix no Brasil, que reduz a dependência de redes privadas internacionais e altera a competição no setor financeiro. Especialistas apontam que a ofensiva de Trump também envolve uma questão de soberania.

Para eles, o controle de infraestruturas consideradas críticas também faz parte do jogo geopolítico, o que motiva uma ideia de “soberania monetária” e torna a moeda, na economia digital, um fator de disputa pelo controle de dados.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.