Por que Vorcaro foi transferido para ala médica da penitenciária federal

Atualizado em 14 de março de 2026 às 14:44
Daniel Vorcaro no aeroporto durante o traslado. Foto: Divulgação

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, foi transferido na sexta-feira (13) da cela de isolamento para a ala de saúde da Penitenciária Federal em Brasília. A mudança ocorreu por decisão da administração do presídio com o objetivo de aumentar o monitoramento e garantir a segurança do detento dentro do sistema penitenciário federal.

De acordo com informações obtidas junto a autoridades, a transferência foi adotada para “preservar a integridade física” dele. A medida foi tomada após a morte de Luiz Phelipe Mourão, conhecido como Sicário, apontado como aliado próximo do ex-banqueiro. Ele atentou contra a própria vida no dia em que teve a prisão preventiva decretada e morreu dias depois em um hospital de Belo Horizonte.

Considerado um dos homens de confiança de Vorcaro, Sicário era citado por investigadores como participante de ações violentas relacionadas ao grupo. A morte dele levou a direção do presídio a reforçar os cuidados com o ex-banqueiro, que passou a permanecer em área com vigilância constante.

Também na sexta-feira, o ex-banqueiro precisou de atendimento médico após reagir de forma exaltada à decisão da Segunda Turma do STF que manteve sua prisão preventiva. Segundo relatos, ele teve um surto dentro da cela, teria esmurrado a parede, machucado as mãos e gritado nomes de políticos e autoridades com quem teria mantido “relações financeiras”.

Daniel Vorcaro na prisão. Foto: Reprodução

A nova cela ocupa espaço entre 7 e 8 metros quadrados e conta com monitoramento por câmera durante 24 horas, exceto na área do banheiro. O local também possui um vidro que separa o detento da área destinada à equipe de saúde, permitindo acompanhamento contínuo por profissionais do presídio.

Antes da transferência, ele estava em uma cela individual com cerca de 9 metros quadrados, equipada com cama, pia, vaso sanitário, chuveiro, mesa e assento. Na ala comum, o monitoramento por vídeo não é permanente, sendo restrito a áreas coletivas e parlatórios, o que levou a direção a optar pela permanência na área médica.

A ida do ex-banqueiro para o sistema penitenciário federal foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. As unidades federais recebem presos considerados de alto risco, além de colaboradores e detentos cuja permanência em presídios estaduais possa representar ameaça à própria segurança.

O regime nas penitenciárias federais inclui regras rígidas de isolamento. O acesso à televisão é limitado aos fins de semana, com programação gravada, e não há circulação de jornais. O sinal de telefonia celular é bloqueado, e o espaço aéreo sobre a unidade permanece fechado como parte do protocolo de segurança.

O presídio também conta com scanners de solo para impedir escavações e tentativas de fuga por túneis. A permanência na ala de saúde permite vigilância permanente, o que reduz a possibilidade de incidentes envolvendo detentos sob custódia especial.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.