Pornografia mesmo é manter Marcelo Álvaro como ministro. Por Carlos Fernandes

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio (PSL-MG) – Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

A libido de Jair Bolsonaro pelo escatológico é algo que assombra não só pela quantidade, mas também pela diversidade.

Que o sujeito espanque a civilidade, a decência e o decoro do cargo que ocupa postando em suas redes sociais cenas de pornografia explícita ao alcance de um clique para adultos e crianças, pode até ser atribuído à sua internacionalmente reconhecida falta de bom senso e deficiência cognitiva.

Mas que mantenha no cargo o atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, após as declarações despudoradas de sem-vergonhice de sua candidata laranja nas eleições de 2018, Zuleide Oliveira, demonstra o método pervertido que se esconde atrás de suas patacoadas.

Tal qual Gustavo Bebianno, que caiu em desgraça por suas arengas com os adolescentes que ora governam o país, Marcelo Álvaro é outro proeminente latifundiário do laranjal que se transformou o PSL com a significativa diferença que neste caso uma de suas comparsas declarou de próprio punho o envolvimento direto do excelentíssimo.

Com riqueza de detalhes do que ocorre entre as quatro paredes nos gabinetes do partido do presidente, Zuleide denunciou ao TRE-MG já em setembro passado, como finalmente foi parar como candidata a deputada estadual sem um mínimo de experiência e vocação para a coisa.

O motivo do órgão eleitoral ter simplesmente engavetado a denúncia, é outra cena da pornochanchada que se transformou o judiciário brasileiro cujos esclarecimentos deveriam vir acompanhados de classificação etária para maiores de 21 anos.

Enfim, o fato é que a justiça eleitoral possui em mãos todas as denúncias, evidências e delações mais do que suficientes para banir os envolvidos da política, sem, claro, prejuízo de responderem criminalmente.

Da parte política que envolve diretamente o presidente da República, uma vez que ministro e partido passam diretamente por sua responsabilidade, caberia nada menos do que sua imediata exoneração.

O problema é que para um sujeito cujas prioridades se encontra a descoberta da definição exata do que venha a ser “Golden Shower”, o mais provável é que Marcelo Álvaro passe mais algum tempo praticando obscenidades no governo, o que, verdade seja dita, é o que de melhor sabem fazer.

E entre imoralidades de toda ordem, ainda temos que nos escandalizar com a pouca-vergonha da reforma da previdência.

Tudo pesado, se para alguma coisa serve tudo isso, é apenas para mostrar que a libertinagem que se pratica em nossos carnavais não passa de uma celebração na congregação das Carmelitas se comparado com o que esse governo nos impõe.

Numa agremiação em que os porta-estandartes são Ernesto Araújo, Damares Alves e Ricardo Vélez Rodriguez, não há sacanagem mundana que não se horrorize com o que se passa na passarela dessa verdadeira Sodoma e Gomorra.

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