
O ex-presidente da SPTuris Gustavo Garcia Pires foi demitido da Prefeitura de São Paulo após acumular um patrimônio que inclui uma casa avaliada em R$ 4,6 milhões no bairro do Sumaré, na zona oeste da capital, e um Porsche conversível registrado em nome de uma empresa ligada a ele. Aos 33 anos, o ex-secretário também possui um apartamento no Itaim Bibi e outros bens que, somados, chegam a cerca de R$ 6,5 milhões em valor de mercado, segundo levantamento baseado em documentos públicos e registros imobiliários.
A residência principal foi adquirida em 2021 por R$ 1,45 milhão, parte financiada, e passou por ampla reforma que elevou significativamente seu valor, de acordo com estimativas da própria prefeitura. Já o veículo de luxo, um Porsche Boxster 2024 avaliado em cerca de R$ 550 mil, está vinculado à empresa MOT Patrimonial, estrutura usada para administrar seus bens.
Em nota, Pires afirmou que “todos os bens foram adquiridos de forma regular, com recursos provenientes de rendimentos acumulados ao longo de sua trajetória profissional, financiamento bancário e patrimônio familiar recebido por meio de inventário formalizado após o falecimento de seu pai, em 2021, com o devido recolhimento dos tributos aplicáveis”.
Veja fotos do imóvel de Garcia Pires:
A evolução patrimonial ocorreu durante sua passagem pela administração municipal, iniciada em 2018 como secretário-executivo na gestão Bruno Covas, de quem era próximo. Sua demissão aconteceu após o Metrópoles revelar pagamentos de R$ 183 milhões da Prefeitura de São Paulo a uma empresa suspeita de ser laranja para a realização do Carnaval na cidade.
Após a morte do ex-prefeito, ele assumiu a presidência da SPTuris, estatal responsável por grandes eventos da cidade, como o Carnaval e projetos internacionais. O ex-dirigente recebia cerca de R$ 30 mil mensais, além de jetons por participação em conselhos.
Gustavo Pires foi demitido pelo prefeito Ricardo Nunes após reportagens apontarem suspeitas sobre contratos milionários firmados pela SPTuris com empresas prestadoras de serviço.
A Controladoria-Geral do Município abriu apuração e identificou documentos considerados relevantes para a investigação, o que levou à exoneração também do então secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho.
O prefeito anunciou a decisão pelas redes sociais e determinou a substituição no comando da empresa municipal. “Vocês devem ter acompanhado, no dia 20 saiu uma matéria trazendo denúncias sobre uma empresa fornecedora da Prefeitura de São Paulo. Hoje, a Controladoria me trouxe documentos referentes a essa apuração. Dentro desses documentos, uma procuração da Nathália para o secretário-adjunto Rodolfo Marinho. Por causa disso, estou demitindo, exonerando, o senhor Rodolfo Marinho”.
Para a presidência da SPTuris, foi nomeado o coronel Marcelo Salles, ex-comandante da Polícia Militar. A defesa de Pires sustenta que os imóveis e veículos foram adquiridos dentro da legalidade e que estão devidamente declarados às autoridades. O caso segue sob análise dos órgãos de controle do município.






