
A Polícia Militar de Alagoas deteve o porteiro Edmilson dos Santos à Central de Flagrantes de Maceió e alegou que a ação ocorreu após ele voltar a bater uma panela e gritar o nome do presidente Lula (PT) quando a viatura já deixava o local. O caso ocorreu na noite de sexta (16) e foi registrado como perturbação de sossego alheio.
O primeiro-sargento Fabiano Pituba Pereira, chefe da guarnição, relatou que os moradores haviam se acalmado após a intervenção policial. Segundo o termo assinado pelo militar, Edmilson retomou o barulho e os gritos, o que teria feito outros moradores continuarem a manifestação e provocado um tumulto.
Fabiano afirmou que os policiais pediram que o porteiro fosse até a guarnição, na rua, mas ele teria solicitado a entrada dos militares na área interna do prédio. O sargento disse que informou a Edmilson que ele seria conduzido à delegacia e que o trabalhador teria se exaltado, passando a telefonar para moradores e outras pessoas.
O terceiro-sargento Divaldo Galvão do Nascimento Júnior confirmou a narrativa do colega em depoimento. Nenhum dos dois relatos, porém, descreve ofensas de Edmilson aos policiais ou ameaça atribuída diretamente ao porteiro. Ele seguiu no banco traseiro da viatura, sem algemas, acompanhado por um patrulheiro.
🚨 URGENTE: Um porteiro de um prédio na Ponta Verde, em Maceió, foi preso após participar de panelaço contra Flávio Bolsonaro. Dois bolsonaristas passaram pelo local, se incomodaram com a manifestação, desceram do carro, iniciaram uma confusão e chamaram a PM.
Isso é apenas uma… pic.twitter.com/PG9RK0ht3Z
— Lázaro Rosa 🇧🇷 (@lazarorosa25) October 17, 2026
Defesa questiona motivo para condução exclusiva do porteiro
O advogado Matheus Gonzaga, defensor de Edmilson, contestou a versão apresentada pela PM e afirmou que os próprios depoimentos reconhecem uma manifestação com moradores de diversos prédios. “É necessário esclarecer, portanto, qual conduta individual justificou a condução exclusiva do porteiro”, declarou.
A defesa também alegou que outro morador, e não Edmilson, fez as ligações mencionadas pelos policiais. Gonzaga afirmou que registros em vídeo e testemunhos podem esclarecer a sequência dos fatos e relatou que o porteiro tentou evitar uma discussão entre um homem que fez a reclamação e um morador antes da chegada da PM.
Vídeos do episódio mostram um dos policiais tentando pular o muro do prédio antes da abertura do portão. A pessoa que acionou a PM teria parado o carro diante do edifício, discutido com o músico Felipe Verlaine, que portava uma bandeira de Lula, e o chamado para brigar; Verlaine registrou queixa por ameaça.
Edmilson foi liberado na madrugada de sábado (17), após assinar termo de compromisso para comparecer ao Juizado Especial Criminal de Maceió quando convocado. A Corregedoria-Geral da PM, o Ministério Público Eleitoral, a Promotoria de Controle Externo da Atividade Policial e a Comissão de Direitos Humanos da OAB de Alagoas acompanham o caso.