Porto Rico: entenda como a terra de Bad Bunny virou parte dos EUA

Atualizado em 10 de fevereiro de 2026 às 15:39
Bad Bunny exibindo a bandeira de Porto Rico durante o show do intervalo do Super Bowl. Foto: Divulgação

O show histórico de Bad Bunny no Super Bowl, onde o artista porto-riquenho homenageou sua terra natal, trouxe à tona uma questão geopolítica interessante: por que a ilha, embora caribenha e com forte identidade latina, pertence aos Estados Unidos? O status peculiar dela como um território dos EUA é um tema complexo e com profundas raízes históricas, que continuam a ser debatidas até hoje.

Porto Rico foi colonizado pela Espanha em 1493, mas o marco que determinou seu futuro como território norte-americano ocorreu em 1898, quando os Estados Unidos tomaram a ilha durante a Guerra Hispano-Americana. Após a assinatura do Tratado de Paris, que encerrou o conflito, Porto Rico, junto com a ilha de Guam e as Filipinas, foi cedido aos EUA.

A partir de então, o território passou a ser governado sob uma administração militar e, posteriormente, civil. Em 1917, a Lei Jones-Shafroth concedeu cidadania norte-americana a todos os porto-riquenhos, o que, embora fosse uma vitória para seus direitos, não os tornava plenos participantes no processo eleitoral dos Estados Unidos. Mesmo sendo cidadãos americanos, os moradores de Porto Rico não podem votar nas eleições presidenciais, embora participem das primárias dos partidos.

O status de Porto Rico foi oficialmente estabelecido em 1952, quando a ilha adotou sua própria Constituição, mas, ainda assim, permaneceu como um território não incorporado, o que significa que não possui soberania plena.

San Juan, a capital de Porto Rico. Foto: Divulgação

Este arranjo jurídico, chamado de “Commonwealth”, concede certa autonomia interna, mas a ilha ainda está sujeita às leis federais dos Estados Unidos. Além disso, Porto Rico tem uma representação limitada no Congresso dos EUA. Embora eleja um representante, o chamado Comissário Residente, essa figura não tem direito a voto no Congresso, apenas em comissões.

Os porto-riquenhos, portanto, não elegem senadores, o que gera um debate constante sobre o futuro político da ilha. Nas últimas décadas, diversos referendos foram realizados para decidir sobre a possibilidade de Porto Rico se tornar o 51º estado dos Estados Unidos ou até mesmo se tornar independente.

Em 2024, um referendo popular resultou em 58% dos votos a favor da anexação ao país, mas o resultado não teve caráter vinculante, o que significa que, até hoje, nada mudou de fato. Porto Rico continua a viver sob o dilema de sua relação com os EUA.

Por mais que a maioria de seus habitantes se identifique com sua cultura latina e caribenha, a influência política e econômica dos Estados Unidos ainda é muito forte. No entanto, como uma ilha de cerca de 3 milhões de habitantes, Porto Rico mantém uma identidade única, onde o espanhol predomina e a cultura porto-riquenha floresce, apesar da interdependência com a política norte-americana.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.