Posando de isentão, Tas ofende Boulos nas redes e dá novamente munição à extrema direita. Por Mauro Donato

Isentão ataca Boulos (Foto: Reprodução)

Reflexo do momento de extrema polarização que vive o país, o incêndio que destruiu 90% do acervo do Museu Nacional fez acirrar ainda mais as discussões nas redes sociais com o embate entre a direita que quer considerar tudo como legado do PT e a esquerda que imputou ser responsabilidade de Michel Miguel a tragédia.

Foi o que postou Guilherme Boulos (acertadamente e no final deste artigo explico porquê) no Twitter poucas horas depois do incêndio, ao que Marcelo Tas respondeu com grosseria.

 “Desculpe, não dá para me manter em silêncio. Esse patrimônio de 200 anos sofre negligência do governo Temer? Tem certeza de que escreveu isso? Você é um tremendo CARA DE PAU, um enganador. Que alívio saber que apenas 1% dos eleitores cai no seu blablabla, impostor!”, escreveu.

Marcelo Tas parece que anda fazendo parte do clube de Lobão, Roger, Danilo Gentili e congêneres. Afirma ser ‘um alívio o 1% de intenção de voto no candidato do PSOL, mas não demonstra preocupação com os 20% do capitão reformado Jair Bolsonaro.

Alguém ficou curioso para saber quem era então o candidato de Tas. Recebeu o seguinte tuíte:

“Não tenho candidato. Estou preocupado com o Brasil de forma mais ampla. Não basta escolher em quem votar,muito menos defender um candidato. Me interessa colaborar para a educação do eleitor em particular e para a educação de forma mais ampla”, respondeu.

Não ter candidato é algo bem estranho e alegar que está pensando no Brasil de forma ampla tem um aroma nacionalista meio fedido.

Quando à frente do CQC, Marcelo Tas e sua produção adotaram Bolsonaro como figurinha carimbada. 

Diversos vídeos da época estão começando a circular nas redes com declarações de agressão às mulheres, por exemplo. Se a ideia era expor uma aberração, num programa satírico o efeito acabou sendo o oposto.

Programas como o CQC ou o Pânico falavam com um público simpático a baixarias. Colaboraram para a projeção do capitão brucutu.

Em abril deste ano, Monica Iozzi fez um mea culpa pela vitrine concedida ao agora candidato de discurso adequado aos medos inoculados por Datenas da vida (não por acaso da mesma emissora). 

Ele é um cara que vem trabalhando na base da falácia. Inclusive, eu penso hoje que a gente teve um papel meio principal, uma coisa que eu me arrependo um pouco (…) um cara tão ignorante, tão patético, sem nenhum tipo de competência e com valores morais tão deturpados que, pra gente, era um personagem tão bizarro, que era engraçado. A gente não tinha ideia que boa parte da população se identificaria com um ser humano tão vil assim. Acho que a gente, infelizmente, contribuiu”, falou.

Sim, contribuiu. Mas vamos retomar o ponto sobre quem de fato jogou gasolina na fogueira?

La atrás, em 2003, primeiro ano da gestão Lula com Gilberto Gil como ministro da Cultura e à frente do projeto, foi lançada a Política Nacional de Museus que criou o Departamento de Museus e Centros Culturais do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O texto serviu como base para a Lei 11.904/2009, denominada Estatuto de Museusque foi sancionada em outubro de 2013 (gestão Dilma).

Já no primeiro ano de Lula, os investimentos para preservação e desenvolvimento do patrimônio museológico, saltaram de R$ 24 milhões para R$ 44 milhões.

Em 2012, o Instituto Brasileiro de Museus (Ibrandivulgou um levantamento feito desde o primeiro ano do governo Lula até 2011, que revelou um aumento de 980% nos recursos destinados anualmente ao setor.

(Fonte: https://admin.cut.org.br/system/uploads/ck/grafico-%20museu.jpg).

Desde 2014 (ano em que um movimento obscuro tirou o país do eixo) o Museu não vinha mais recebendo os R$ 520 mil previstos em orçamento e desde que Michel Miguel assumiu, os cortes foram ficando cada vez mais drásticos. 

Para este ano, pouco mais de R$ 200 mil estavam reservados. É jogar uma pá de cal ou não?

Quanto ao futuro, antes da tragédia só os programas de governo da Rede e do PT traziam propostas de proteção a museus, ao passo que Temer aprovou um teto de gastos pelos próximos 20 anos. 

Não dá para comparar?

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