
Antes de defender que Flávio Bolsonaro deixasse o Brasil em caso de derrota eleitoral, Eduardo Bolsonaro usou uma fuga como argumento para questionar a inocência de Cesare Battisti. “Ué, mas se ele não deve nada, por que fugiu???”, escreveu em uma publicação de 14 de dezembro de 2018 no X, então chamado Twitter. A cobrança contrasta com a posição adotada agora em relação ao próprio irmão.
Na postagem antiga, Eduardo Bolsonaro republicou uma mensagem de Rose D Barros sobre o paradeiro desconhecido de Battisti. O texto compartilhado dizia que o italiano poderia ser preso a qualquer momento e tratava seu desaparecimento como uma fuga. Foi a esse episódio que o então deputado dirigiu a pergunta.
Na sexta-feira (23), às vésperas do segundo turno, Eduardo Bolsonaro defendeu que Flávio Bolsonaro saísse do país caso não vencesse a eleição. “Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país”, afirmou. Também sustentou que o resultado das urnas deveria ser contestado.
Ué, mas se ele não deve nada, por que fugiu???
— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) December 14, 2018
Depois da derrota para Lula (PT), Flávio Bolsonaro foi intimado a entregar seus passaportes à Polícia Federal e ficou proibido de sair do Brasil por determinação de Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na segunda-feira (26), o senador declarou publicamente que entregaria os documentos e negou que pretendesse deixar o país.
A Polícia Federal já havia apontado risco concreto de fuga ao pedir a apreensão do passaporte. Entre os elementos citados estavam a estrutura mantida por Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e sua recomendação para que o irmão deixasse o Brasil em caso de derrota.
Na terça-feira (27), um aliado informou ao UOL que Flávio Bolsonaro havia chegado aos Estados Unidos. O governo Donald Trump confirmou que emitirá vistos para o senador e seus familiares. As investigações contra Flávio Bolsonaro apuram suspeitas de crimes, que ele nega; a saída do país não constitui, por si só, comprovação dessas acusações.