
A equipe da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avalia que a vitória na eleição presidencial depende do desempenho em Minas Gerais, considerado estado estratégico. Nesse cenário, o apoio de Nikolas Ferreira (PL-MG) é visto como central, e a disputa com Eduardo Bolsonaro é tratada como um fator de risco.
Integrantes da campanha ouvidos pelo UOL classificam o comportamento de Eduardo como de “potencial catastrófico”. Nos bastidores, aliados relatam que chegam a “ficar de cabelo em pé” com as atitudes do deputado, temendo prejuízos eleitorais diretos.
O próprio Flávio já comentou o episódio, chamando a situação de “contraproducente”. Ele afirmou que a briga “não é inteligente”, indicando preocupação com os efeitos políticos da disputa interna.
A avaliação entre aliados é de que a postura de confronto pode provocar divisão no campo da direita. Existe o receio de que Nikolas ofereça apenas um apoio formal, o que poderia reduzir votos e dificultar a disputa contra Lula.

Outro ponto levantado é o impacto na imagem pública de Flávio. A estratégia da pré-campanha tenta posicioná-lo como um nome moderado, mas o comportamento de Eduardo pode associá-lo a um perfil mais radical, afastando eleitores de centro.
Apesar das críticas, aliados reconhecem limites na atuação da campanha sobre Eduardo. Há o entendimento de que não é possível “soltar a mão do irmão”, tanto pela relação familiar quanto pela reação da base mais radical. Também se admite que o deputado tem autonomia para se posicionar e “comprar as brigas que achar justas”.
Ao mesmo tempo, interlocutores apontam que Eduardo teve papel importante no crescimento de Flávio nas pesquisas. Segundo eles, houve transferência de capital político e engajamento da militância, inclusive com migração de seguidores nas redes sociais, o que fortaleceu a pré-candidatura.