Poupado na Lava Jato, senador Álvaro Dias cede assessora de imprensa para Sergio Moro

Álvaro Dias e Sergio Moro

A nova assessora de imprensa de Sergio Moro trabalhou durante muitos anos com o senador Álvaro Dias, um dos maiores defensores de Sergio Moro e Deltan Dallagnol no Congresso Nacional e que, na campanha de 2018, se apresentou como candidato da Lava Jato.

A jornalista Cristiane de Cássia Moreira Sales sucedeu Giselly Siqueira no Ministério da Justiça e Segurança Pública. Giselly, que é casada com o jornalista Vladimir Neto, repórter da Globo e biógrafo de Sergio Moro, deixou o governo federal há pouco mais de um mês, sem dizer as razões do afastamento.

A ida de Cristiane para o Ministério da Justiça e Segurança Pública revela a proximidade entre Moro e Álvaro Dias. Cristiane trabalhava com o senador pelo menos desde 2010.

É óbvio que Moro não tiraria uma funcionária de confiança de Álvaro Dias sem conversar com ele antes.

Não há nada demais nisso, exceto pelo fato de que Álvaro Dias já foi citado em investigação de corrupção na Lava Jato, segundo revelou reportagem do UOL publicada na semana passada.

Segundo texto, de Constança Rezende, Jamil Chade e Vinicius Konchinski, Moro e os procuradores ouviram, em depoimentos formais, relatos de participação do senador em negociações para obstruir duas comissões de inquérito abertas no Congresso.

“A participação do senador nesses casos nunca foi apurada”, anotaram os repórteres.

Um dos casos investigados pela Lava Jato em que o nome de Alvaro Dias apareceu é o da CPI da Petrobras.

O lobista Fernando Baiano contou que Sergio Guerra, então senador e presidente do PSDB, recebeu R$ 10 milhões para não aprofundar as investigações.

As empreiteiras tinham receio da atuação de Álvaro Dias, correligionário de Guerra. Segundo Fernando Baiano, o presidente do PSDB garantiu que Álvaro seria neutralizado.

“Não se preocupe que, com relação ao senador Alvaro Dias, a gente vai resolver”, disse Baiano, descrevendo a fala do então senador Guerra no encontro com os executivos de duas empreiteiras, a Queiroz Galvão e a Galvão Engenharia.

A CPI da Petrobras terminou sem aprofundar as investigações, como prometeu Sérgio Guerra.

Álvaro Dias chegou a prestar depoimento a Sergio Moro sobre o caso, mas só respondeu a perguntas do advogado.

O então juiz e o procurador Diogo Castor de Mattos não fizeram a pergunta óbvia: se ele havia recebido parte da propina paga a Guerra.

O advogado Rodrigo Tacla Durán, que prestou serviços para a Odebrecht e é acusado de lavagem de dinheiro pela força-tarefa de Curitiba, entregou à Polícia Federal e-mails trocados com um ex-diretor da empresa, Luiz Eduardo da Rocha Soares, que também citam Álvaro Dias.

Nesse caso, o senador é apontado pelo suposto recebimento de propina para aliviar na CPI do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Tacla Durán prestou depoimento à Polícia Federal sobre o caso e disse que a propina teria sido paga pelo doleiro Adir Assad. Teriam sido pagos pelo menos R$ 5 milhões.

A denúncia não foi investigada.

Ao site, Álvaro Dias disse que essas citações não passam de boatos.

Em postagem recente na rede social, o senador elogiou a Lava Jato e manteve o discurso de que querem dinamitar a operação.

Álvaro Dias, embora nascido no interior de São Paulo, fez carreira política no Paraná. Antes de se eleger senador, foi governador do estado.

Um antigo aliado é o empresário Joel Maluceli, que é seu suplente no Senado e presidiu o diretório estadual do Podemos (partido a que Álvaro se filiou depois que deixou o PSDB).

Maluceli teria aproximado Moro do cantor Fagner, numa época em que o empresário ainda não havia sido investigado pela Lava Jato.

Em relação a Álvaro Dias, nenhuma investigação prosperou e hoje ele pode se sentir confortável até para ceder funcionária de confiança.

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