Poupando Caetano, jornalistas da Globo e da Folha atacam Jones Manoel com métodos do stalinismo

Jones Manoel e Caetano Veloso

Quem tem medo de Jones Manoel?

Há dias, desde que ele foi citado por Caetano Veloso no programa de Pedro Bial, jornalistas e outras figuras se dedicam a tentar destruir sua reputação.

Incorrendo a métodos do stalinismo, apontam o dedo para o professor e youtuber negro do Recife e saem gritando “stalinista!” 

É um “Vai pra Cuba!” particularizado.

Parte disso é a pura e simples inveja. O cantor baiano revelou que não é mais “liberaloide” por causa da leitura de Domenico Losurdo e dos vídeos de Jones.

“Quando ouço pessoas como você dizendo ‘o comunismo e o nazismo são igualmente horríveis, são autoritarismos’, essa equalização das tentativas socialistas com o nazismo eu não engulo mais como engolia. ‘A extrema esquerda é igual à extrema direita’. Eu não acho mais, não consigo”, disse ele a Bial.

O Brasil, descobrimos, tem beliebers descontroladas do liberalismo que não aceitam divergência. Batem o pezinho e dão chilique.

Nas redes, Guga Chacra, comentarista da GloboNews cuja maior virtude intelectual é o cabelo desgrenhado de propósito, atacou Jones sem mencioná-lo diretamente.

“Oi, liberal não é assassino”, escreveu.

“Nem os liberais no sentido econômico, como se usa no Brasil e normalmente associado à direita, e tampouco liberais no sentido político e social, como se usa nos EUA e normalmente associado à esquerda. Assassino é quem mata. Avisem o stalinista”.

“AVISEM O STALINISTA”. Fica o alerta do farol do iluminismo no Jardim Botânico.

O sociólogo Celso Rocha de Barros, colunista sensaborão da Folha, deu “aula” sem que lhe fosse requisitado.

“Jones, a esquerda precisa ser anti-stalinista”, decretou, a alturas tantas, depois de submeter Jones a um interrogatório, montado numa posição auto-outorgada de autoridade no assunto.

Celso, que admitiu que não conhece o trabalho de JM, exige do outro uma autocrítica, senão ele vai para o Gulag das nobres intenções.

Álvaro Pereira Júnior, editor do Fantástico, lamentou que “um cara inteligente” como Barros “perdeu tempo trocando ideia com uma parede, ou melhor, com um paredón”.

É obrigatório “trocar ideia” — um tiozinho dos anos 80 será sempre um tiozinho dos anos 80 — apenas com quem e o quê Álvaro determinar, portanto.

Amanda Audi, do Intercept, chamou Jones de “treteiro do Twitter” e questionou sua capacidade de “responder um monte de pergunta no Roda Viva” — como se aquela coisa que já teve Augusto Nunes de apresentador e Marcelo Tas na bancada fosse algo incrível.

Ela pediu desculpas depois. “Tenho muito respeito por todes e não agi de maneira condizente com a luta antirracista, a qual entendo ser primordial”, disse.

Amanda confessou um viés racista em sua diatribe.

Jones é negro. Caetano é mulato. Mas, antes de mulato, Caetano Veloso é Caetano Veloso.

Tem trilha em novela da Globo, cadeira cativa na Folha, poder e influência. Dor de cabeça na certa.

Com Jones, eles são tigrões. Com Caetano, tchutchucas.

Fica implícito, porém, que o baiano é uma besta ao se deixar enganar dessa maneira por um… STALINISTA. 

É proibido discutir Stalin ou o liberalismo? O sujeito precisa pedir autorização do senhorio para se manifestar?

Tem que mandar cópia reconhecida em cartório em três vias para o inspetor do soviete?

Jones tem de ser o que o Celso quer que ele seja? Ou ele pode decidir?

E se ele for stalinista? Stalin só pode ser discutido com autorização do comitê?

Por que interditar o debate?

A única certeza é que os que querem calar Jones Manoel na marra teriam um bom lugar na NKVD para garantir que a opinião seja a certa — a deles. 

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