“Praticamente solteira”: a mensagem enviada por PM ao marido 5 dias antes de morrer

Atualizado em 19 de março de 2026 às 13:23
Gilberto Leite e Gisele Alves. Foto: Reprodução

Cinco dias antes de ser morta, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves disse ao marido, o tenente-coronel Geraldo Neto, que estava “praticamente solteira”. A resposta, segundo a investigação, foi imediata: “Jamais! Nunca será!” O crime ocorreu em 18 de fevereiro, no apartamento do casal no Brás, região central de São Paulo.

De acordo com a Polícia Civil, mensagens trocadas por WhatsApp mostram que o oficial não aceitava o fim do relacionamento e reagiu com ameaças após a decisão da esposa de se separar. Os diálogos foram encontrados nos celulares dos dois e passaram a integrar o inquérito.

Geraldo foi preso preventivamente e está detido no presídio militar Romão Gomes. A Justiça o tornou réu por feminicídio e fraude processual, pois a acusação afirma que ele matou a esposa com um tiro na cabeça após discussão e tentou simular suicídio alterando a cena do crime.

Segundo o Ministério Público, o relacionamento era problemático. Na denúncia, a Promotoria afirma que o crime ocorreu no contexto de uma “relação marcada por abuso psicológico, machismo, controle financeiro, ciúme patológico e a decisão firme da vítima de pedir o divórcio”.

Mensagens trocadas entre a PM Gisele Alves e o tenente-coronel Geraldo Leite. Foto: Reprodução

Nas conversas, Gisele pediu a separação e escreveu “quero o divórcio” e “se considere divorciado”. O oficial reagiu dizendo ser um “macho alfa” e exigindo submissão. “Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa. Com amor, carinho, atenção e autoridade de Macho Alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser”, escreveu.

Outras mensagens mostram imposições de comportamento e regras dentro de casa. “Enquanto estiver casada comigo e vivendo na minha casa, na minha comanda, as coisas serão do meu jeito”, afirmou.

Em outro trecho, declarou: “Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo” e também se descreveu como “Sou Rei, Religioso, Honesto, Trabalhador, Inteligente, Saudável, Bonito, Gostoso, Carinhoso, Romântico, Provedor, Soberano”.

Laudos periciais e a reprodução da cena indicam que a vítima foi morta pelo marido, o que levou a acusação de feminicídio. O Ministério Público também pediu que, em caso de condenação, seja fixada indenização mínima de R$ 100 mil para a família. A tendência é que o caso seja julgado pela Justiça comum, com decisão final do Tribunal do Júri.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.