
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que pretende deixar o comando da pasta ainda neste mês para contribuir com a campanha presidencial de 2026. Segundo ele, a ideia não é atuar como coordenador, mas participar da elaboração do plano de governo de um eventual quarto mandato de Lula.
Haddad avalia que o presidente é “insubstituível” com as crises geopolíticas que têm acontecido nos últimos anos. Para ele, o mundo vive um período de forte tensão e mudanças aceleradas. “Nós precisamos de uma liderança que, no caso do Lula, ele é insubstituível nesse momento”, afirmou à jornalista Míriam Leitão na GloboNews.
“O presidente Lula tem um papel muito significativo na inserção brasileira nesse novo contexto. Talvez o único brasileiro que consiga passar a mão no telefone e falar com qualquer chefe de estado no momento que ele precisar, incluindo o Trump, de dois, três meses para cá”, prosseguiu.
O ministro ainda aponta que Lula “é uma figura central para o Brasil ter um futuro garantido” e que o acordo Mercosul-União Europeia só saiu do papel por conta dele.
“Ele é uma pessoa central para falar com Xi Jinping, com Putin, com Trump, com Macron, com quem quer falar e garantir o espaço do Brasil nessa nova ordem global, que é tensa, pensando no desenvolvimento e no bem-estar dos brasileiros”, acrescentou.

Haddad defende que o atual secretário-executivo, Dario Durigan, seja seu substituto na pasta, destacando seu trânsito junto à Casa Civil e ao presidente. Ele diz que a decisão passa pelo entendimento de que o novo ministro deve iniciar o ano à frente da Fazenda.
O ministro avaliou que a agenda econômica está “bem encaminhada” e associou indicadores como crescimento, renda e justiça tributária ao plano apresentado desde 2022. “Os resultados são satisfatórios, mas o trabalho é contínuo”, afirmou.
Questionado sobre a mudança de posição, já que havia dito que ficaria até o fim do governo, Haddad afirmou que pode colaborar “de outra maneira” com a reeleição de Lula. “Eu pretendo ajudar na campanha, já me coloquei à disposição do presidente do PT, Edinho Silva, de que eu tenho interesse em participar da coordenação”, afirmou.
Ele também afastou a possibilidade de disputar cargos em 2026. “Não está nos meus planos ser candidato”, declarou.