Preço do petróleo volta a disparar com novo impasse entre EUA e Irã

Atualizado em 20 de abril de 2026 às 6:26
Navio petroleiro no Estreito de Ormuz. Foto: reprodução

Os preços do petróleo dispararam nesta segunda-feira (20), enquanto as bolsas asiáticas também abriram em alta, em meio ao novo agravamento da crise no Estreito de Ormuz e às mensagens conflitantes sobre uma possível retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã. O movimento do mercado reflete a percepção de que o risco geopolítico voltou a crescer após novos ataques a embarcações comerciais na região e do recuo de Teerã em relação à reabertura da principal rota marítima do petróleo mundial.

O barril do petróleo bruto de referência nos Estados Unidos subiu 5,6%, para US$ 87,20, enquanto o Brent, referência internacional, avançou 5,3%, para US$ 95,16.

Em outro recorte do mercado, o contrato futuro do Brent chegou a subir mais de 7% na Ásia antes de perder parte do fôlego e ser negociado a US$ 94,69 por barril às 2h05 GMT, acima dos pouco menos de US$ 90,40 registrados na sexta-feira. A nova alta veio depois que Donald Trump afirmou que forças dos Estados Unidos apreenderam um navio cargueiro de bandeira iraniana que teria tentado escapar do bloqueio imposto aos portos do Irã.

Nos últimos dias, o cenário em Ormuz virou novamente. Após declarar na sexta-feira que o estreito estava “completamente aberto”, o Irã voltou atrás menos de 24 horas depois e restabeleceu restrições, alegando que o bloqueio naval estadunidense seguia em vigor.

Pela versão de Teerã, o controle da rota “voltou ao seu estado anterior” por causa da continuidade da pressão militar dos Estados Unidos sobre os portos iranianos. Já Trump sustentou que o bloqueio seguirá “em pleno vigor” até que a negociação com o Irã esteja “100% concluída”.

A crise aumentou após relatos do centro britânico UKMTO de que dois navios foram atacados ao atravessar o estreito. Segundo a instituição, lanchas iranianas abriram fogo contra um petroleiro, enquanto um “projétil de origem desconhecida” atingiu um navio porta-contêineres.

Vista aérea do Estreito de Ormuz. Foto: Stringer/Reuters

Em paralelo, a agência estatal iraniana IRNA informou que Teerã não participará de uma segunda rodada de negociações no Paquistão, citando o bloqueio dos Estados Unidos e “exigências excessivas” e “expectativas irreais” de Washington.

O temor do mercado se explica pelo peso estratégico de Ormuz. Cerca de um quinto de todo o petróleo e gás consumidos no mundo passa normalmente pela região. No sábado, 19 embarcações cruzaram a rota, acima das 10 do dia anterior, mas muito abaixo da média histórica de 138 travessias diárias. Essa limitação no fluxo ajuda a pressionar os preços dos combustíveis e amplia o receio de novos impactos globais sobre inflação, transporte e energia.

Apesar da piora no ambiente geopolítico, as principais bolsas asiáticas subiram. O Nikkei 225, do Japão, avançou mais de 1%, o Kospi da Coreia do Sul ganhou cerca de 1,3%, o Hang Seng de Hong Kong subiu em torno de 0,5% e o índice de Xangai teve alta superior a 0,4%.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.