Prefeito bolsonarista de Garopaba é preso por corrupção; é o 29º em SC desde 2021

Atualizado em 8 de janeiro de 2026 às 19:02
Junior Abreu (PP-SC), prefeito de Garopaba, ao lado de um boneco do ex-presidente Jair Bolsonaro. Reprodução

A Polícia Civil de Santa Catarina prendeu, na quinta-feira (8), três pessoas durante a 2ª fase da operação Coleta Seletiva, que investiga um esquema de corrupção envolvendo agentes políticos e crimes relacionados a licitações fraudulentas.

A ação ocorreu simultaneamente em várias cidades, incluindo Garopaba, Pescaria Brava, Laguna e Tubarão, e resultou na prisão do prefeito de Garopaba, Júnior Abreu (PP), de um servidor público e de um empresário atuante no setor de coleta e reciclagem.

A operação também cumpriu 16 mandados de busca e apreensão, além de dois afastamentos cautelares de secretários municipais de Garopaba. Outra medida importante foi o sequestro de bens e valores no valor de cerca de R$ 1 milhão.

As prisões preventivas e os afastamentos de cargos públicos visam combater a corrupção ativa e passiva, fraudes em licitações e irregularidades em contratos firmados pelas prefeituras envolvidas.

De acordo com o delegado Bruno Fernandes, a operação é fruto de um inquérito que investiga crimes cometidos desde 2016, com evidências de que os esquemas continuaram mesmo após a mudança de gestão municipal em Garopaba, a partir de 2021.

A investigação foca principalmente em contratos relacionados à coleta de lixo, um setor estratégico que movimenta recursos significativos nas administrações municipais. Júnior Abreu, que foi preso preventivamente durante a operação, ainda não teve acesso à decisão judicial que decretou sua prisão.

29 prefeitos presos em cinco anos

Patrick Corrêa, Marcelo Baldissera, Joares Ponticelli, Ari Bagúio e Fernando de Fáveri, prefeitos também presos por corrupção em SC — Foto: Montagem/Reprodução/Redes sociais

Santa Catarina chegou a 29 prefeitos presos por suspeita de corrupção e fraudes administrativas desde 2021.

As prisões ocorreram no âmbito de operações conduzidas principalmente pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), como as operações Et Pater Filium e Mensageiro, e atingiram prefeitos de diferentes regiões e partidos. A lista inclui, entre outros, Patrick Corrêa (Imaruí), Marcelo Baldissera (Ipira), Joares Ponticelli (Tubarão), Fernando de Fáveri (Cocal do Sul) e Clésio Salvaro (Criciúma). Do total, nove prefeitos são do MDB, seis do PP, cinco do PL e quatro do PSD, além de nomes do União Brasil, Republicanos, PT, PSDB e Podemos.

Seis dos 29  presos em desde as eleições de 2020 disputaram as eleições municipais de 2024, com candidaturas deferidas pela Justiça Eleitoral. Três foram reeleitos: além de Junior Abreu, Patrick Corrêa, de Imaruí, preso na Operação Mensageiro, e Marcelo Baldissera, de Ipira, preso na Operação Fundraising. Joares Ponticelli, ex-prefeito de Tubarão, também preso na Operação Mensageiro, foi eleito vereador suplente.

Já Ari Wolinger (Ari Bagúio), de Ponte Alta do Norte, preso na Operação Limpeza Urbana, e Fernando de Fáveri, de Cocal do Sul, preso na Operação Fundraising, tentaram a reeleição, mas não venceram. No total, 17 dos 28 prefeitos foram presos em diferentes fases da Operação Mensageiro entre dezembro de 2022 e abril de 2024.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 27 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.